O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, congratulou-se hoje pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos para retirar Portugal da crise, criticando os que «sabem alimentar-se da desgraça e que olham agora gulosamente para as eleições».

«Crescer dá trabalho, ter projetos bem-sucedidos dão trabalho (…). As coisas não caem do céu, dão trabalho, exigem esforço (…) , disse, acrescentando ter «a impressão de que nem todos remaram para o mesmo lado», nomeadamente «os que olham agora gulosamente para as eleições».

Segundo Passos Coelho, Portugal vai ainda enfrentar «durante muitos anos um nível elevado de dívida pública».

«São restrições reais», «as coisas são como são», salientou, acrescentando que «a pior crise que pode acontecer ao país é ter um governo que faça de conta».

Para o chefe do Governo, «o melhor favor que o Estado pode fazer aos cidadãos é saber comportar-se com parcimónia», não acrescentando dívida à divida existente.

«E é isso que Portugal vai precisar de fazer durante uns anos», frisou.

O primeiro-ministro, que falava na Câmara de Valença, destacou a necessidade de Portugal saber aproveitar com rigor os próximos fundos comunitários.

«Temos que gastar bem cada euro que tivermos», disse, sublinhando que na próxima década o país terá os fundos comunitários como única fonte de financiamento.

O primeiro-ministro disse que «a chamada contrapartida nacional não pode falhar», sendo dever do Estado garantir essa meta.

«Esperamos que, desta vez, estes próximos sete anos sirvam para convergir com a média europeia em vez divergir», disse.

Passos Coelho acrescentou que este quadro comunitário de apoio (2014-2020) «tem que ter regras diferentes das dos precedentes» , mostrando-se convencido de que hoje «todos têm a noção muito aguda desta necessidade».

Na sua opinião, «uma das poucas vantagens» que a crise trouxe ao país foi o facto de agora as pessoas terem a noção de que é preciso garantir que as verbas sejam devidamente gastas, em projetos sustentáveis.

A passagem do primeiro-ministro a Valença terminou com uma visita a uma fábrica de produtos alimentares congelados, de capitais luso-espanhóis.