Pedro Passos Coelho criticou esta quinta-feira perante a direita europeia o "jogo negativo" usado pelos partidos de esquerda em Portugal, "rejeitados pelo povo" por terem mobilizado o "radicalismo" e a "demagogia". As críticas foram feitas através de uma mensagem de vídeo, transmitida durante o congresso do Partido Popular Europeu, em Madrid.

"Sempre confiei no bom senso do povo português e, de facto, todos os partidos políticos que viraram as costas à realidade nos últimos anos foram derrotados nas urnas. Os líderes políticos que usaram a demagogia contra o senso comum e mobilizaram o radicalismo contra a responsabilidade foram rejeitados pelo povo."


O ainda primeiro-ministro, que faltou ao congresso, afirmou que o Partido Popular Europeu - do qual fazem parte o PSD e o CDS-PP - sempre deu "o maior valor ao realismo, à responsabilidade e à coerência estratégica".

"É central à nossa identidade. E agora sabemos que esses valores não são uma menos-valia nas eleições. Em Portugal mostrarmos isso, além de qualquer dúvida. Mesmo quando levamos em consideração o jogo negativo feito pelos partidos derrotados."


Passos Coelho insistiu ainda - perante líderes como a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, ou o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy - que a direita europeia se mantém "fiel" aos princípios e assume as suas responsabilidades.

"Agora não esqueçamos que o PPE tem a especial responsabilidade de liderar a Europa nestes tempos carregados de desafio: mantendo-nos fiéis aos nossos princípios e assumindo a responsabilidade das escolhas que temos de fazer. Nós no PPE mostramos que somos fiéis aos nossos princípios morais e políticos, bem como à inclinação para aceitar a realidade."


O PPE, salientou, é o "partido político europeu que nunca foge à realidade".

"A nossa tendência natural é a de reconhecer sempre os nossos problemas e confrontá-los com soluções e isto é particularmente verdadeiro quando estamos preparados para nos erguermos acima de uma mera perspetiva nacional", sublinhou.

Passos, que recordou a dificuldade dos últimos anos "para todos em Portugal" e o legado "extremamente pesado" deixado ao seu governo, referiu que o povo português conseguiu ultrapassar o desafio e mostrar "à Europa que é corajoso e trabalhador".

Assim - e lembrando que Portugal foi o primeiro país a ter eleições legislativas após o fim de um programa de assistência - Passos Coelho expressou o desejo de "maior sorte" a Mariano Rajoy e ao povo espanhol, que terá eleições gerais a 20 de dezembro.

"Espanha também vai ter eleições gerais e tu - meu querido Mariano - também tiveste de lidar com uma herança pesada nos últimos anos, também tiveste de ser persistente para dar a volta a uma situação económica e social difíceis. E agora também tens resultados positivos para mostrar. A Espanha está a crescer outra vez e o está a criar emprego. Para este teu próximo desafio aliciante desejo-te a maior sorte, porque tu e o povo espanhol merecem-na."


A última intervenção pública de Pedro Passos Coelho tinha sido na segunda-feira, após ter sido recebido pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.