O frente-a-frente era Passos vs. Costa. Pouco passava  do início do debate quando uma terceira cadeira parecia emergir gradualmente, no meio dos dois, com a sombra de José Sócrates. As perguntas eram inevitáveis, mas foi mesmo o líder do PSD e não os jornalistas quem mais insistiu em trazer para para cima da mesa (ou da cadeira) o ex-primeiro-ministro, agora em prisão domiciliária. Invocou-o diversas vezes. Duas mãos cheias pelo menos.

António Costa estava a demorar a responder a Judite Sousa, sobre porque é que nunca se demarcou da governação socialista do ex-chefe de Governo. E Passos Coelho aproveitou a deixa:

"António Costa teve alguma dificuldade em responder a uma parte da pergunta e sei porquê. O debate seria esclarecedor se se aprofundasse essa questão. Diz que programa não tem TGV, obras faraónicas que José Sócrates entendia que eram essenciais, mas é muito parecido noutros aspetos. Essa abordagem conduziu país ao desastre. Essa coerência que doutor António costa tem de identificação antecessor de governo é hoje um risco e uma aventura pela qual o país não quer passar"


Só depois de insistência da jornalista da TVI Judite Sousa é que António Costa respondeu que os portugueses julgaram a herança socialista e que, dentro do partido, a prestação do anterior governo foi avaliada.

"O programa eleitoral que hoje apresentamos não é assente em grandes obras públicas, mas é centrado no que é fundamental para recuperar crescimento da economia e para a classe média asfixiada pelo Governo de Passos Coelho. Nestes quatro anos, o país recuou 13", acrescentou, continuando sem responder diretamente à questão. 

Aquela análise de Passos Coelho acabou por irritar costa: "Está enganado". E acusou o primeiro-ministro de ter tirado dinheiro aos pensionistas e aos trabalhadores. E de a sua política ter sido "um fracasso". "A nova geração não encontra trabalho e trabalho digno", atirou. 

Passos Coelho voltou a colar o PS de Costa ao Governo de Sócrates várias vezes, a propósito de vários assuntos. Já o final do debate, a dada altura o atual líder socialista interrompeu:

"Por que é que não o visita e não fazem um debate se tem tantas saudades?"


O líder do PSD disse que não é Sócrates quem concorre com ele nestas eleições. E continuou a tentativa de colagem: "Mas o senhor não se livra de estar a apresentar as mesmas ideias dele".

Já sobre o apoio manifestado pelo ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS ao atual secretário-geral socialista, António Costa dispensou poucas - e rápidas - palavras para reagir a esse apoio: "Agradeço o apoio de todos os portugueses e de todos os socialistas".

Quis passar a outro assunto, mas ainda havia a pergunta sobre se ia agradecer esse apoio em breve, visitando Sócrates em casa: "Não sei, não tenho previsto isso...".
 

Miguel Macedo: Passos não comenta


Da família social-democrata, o deputado e ex-ministro Miguel Macedo também está a contas com a justiça. É arguido no caso dos vistos gold e foi interrogado esta semana.

Apesar de questionado sobre o assunto, Passos Coelho nada quis dizer. "Não comentarei esse caso como não comento outros casos de justiça". Só quando e se tiver "relevância política" é que o líder do PSD poderá vir a pronunciar-se sobre isso no futuro. 
 

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