Passos Coelho voltou a reiterar que Portugal “não será apanhado desprevenido” caso a Grécia saia da zona euro, lembrando os “cofres cheios” a que a ministra das Finanças já se tinha referido, no passado, para sustentar que o país “tem amealhado o suficiente”. Isto depois de na terça-feira ter afirmado que Portugal "não cairá" caso algo aconteça com a Grécia, pelo menos até ao fim do ano. Contudo, desta vez o primeiro-ministro fez questão de sublinhar que as reservas permitem lidar com uma situação de emergência, mas não enfrentar situações adversas "indefinidamente".

“Portugal não será apanhado desprevenido numa situação de emergência. As reservas que temos são depósitos que fomos acumulando e se houver alguma perturbação nos mercados financeiros podemos assumir as nossas responsabilidades porque temos amealhado o suficiente.”

As reservas existem, sim, mas o primeiro-ministro esclarece que os depósitos não permitem enfrentar situações adversas "indefinidamente", destacando que "nenhum país" se basta sozinho. E, por isso, existem mecanismos na Europa que permitem lidar com situações de maior volatilidade financeira.

"Não há nenhum país do mundo que se baste sozinho. Ninguém acumula reservas para poder indefinidamente enfrentar situações adversas. Em termos da zona euro há também mecanismos que estão preparados para responder a situações dessa natureza. 


O chefe do Governo, que falou aos jornalistas, esta quarta-feira, numa visita ao Centro Comunitário São Cirilo, no Porto, quis deixar uma mensagem de “tranquilidade” aos portugueses, no dia em que Alexis Tsipras abriu a porta para dar um “grande não” aos credores. O clima entre Atenas e os credores está mais tenso do que nunca e uma possível saída da Grécia da zona euro assombra a Europa e agita os mercados.

Passos manifestou o desejo de ser encontrada uma solução para o problema, frisando que ninguém tem nada a lucrar com a Grexit. Por isso, o primeiro-ministro sublinhou que "racionalmente, era importante para todos que se pudesse chegar a uma solução que evitasse um incumprimento grego". Contudo, acrescentou que "isso não está só nas mãos do Eurogrupo".

"Ninguém tem nada a lucrar, nem os gregos, nem a União Europeia e os países da zona euro, com esta instabilidade e com um precipício financeiro a enfrentar pelas autoridades gregas."



Portugal disponível para dar resposta a migrantes


Durante a mesma visita, o primeiro-ministro assinalou que Portugal está disponível "para oferecer mais acolhimento e mais resposta" a imigrantes que procuram resposta dentro da União Europeia e destacou que o desafio é também "cuidar bem" dos que querem regressar.

"Portugal está disponível para oferecer mais acolhimento e mais resposta a estas pessoas que precisam de ter um acolhimento maior dentro da União Europeia."


Passos acrescentou que, se Portugal "quer manter boa prestação" neste domínio, "tem de ser muito equilibrado" na forma como dirige as suas respostas para os que precisam e que estão cá, tal como para os que vêm de fora.

Sobre o acolhimento de imigrantes na União Europeia, o chefe do Executivo assinalou ser necessário encontrar critérios que permitam "ter em conta a dimensão do território humano, a dimensão demográfica da sociedade que acolhe imigrantes, o seu nível de desempenho económico e também o nível de desemprego".

A propósito deste assunto, Passos lembrou um relatório apresentado no passado dia 12 sobre a imigração em 38 países desenvolvidos, que classificou Portugal "como o país do sul da Europa que mais bem promove o combate à descriminação e melhor promove a integração" de comunidades imigrantes.