“É no mínimo perturbador.” Foi esta a expressão utilizada pelo primeiro-ministro Passos Coelho, esta terça-feira, para se referir ao caso da Grécia e ao impasse nas negociações entre Atenas e os credores. O chefe do Governo, que discursou numa iniciativa da Porto Business School, deixou várias críticas ao governo de Alexis Tsipras e alertou que o efeito da situação grega “não vai dissipar-se com facilidade”.

“Há um país que esta à beira da bancarrota e ao cabo de quatro meses de negociações não há uma solução para o problema? É no mínimo perturbador.”


Apesar da situação dos gregos, o primeiro-ministro deixou uma garantia: Portugal não cairá se a algo acontecer com a Grécia. Passos sublinhou que o país está preparado para um "período de maior perturbação", pelo menos até ao fim do ano.

“Estamos prevenidos. Se algo acontecer com a Grécia, Portugal não cai a seguir. Temos condições, em Portugal, para passar por um período de maior perturbação, como não tivemos noutros anos.”

"Nós temos condições para poder dizer que o Tesouro português está, até ao final do ano, em condições de poder enfrentar qualquer volatilidade no mercado externo e temos boas razões para pensar que nos próximos meses teremos, com certeza, uma boa resposta também para o primeiro semestre de 2016."


Passos serviu-se do caso do país helénico para destacar a importância de uma política ajustada à realidade e às condições existentes, no quadro económico e financeiro, sublinhando que os que tomam decisões “ao arrepio das condições e da realidade” vendem “ilusões” às pessoas.

“Quando a economia e as finanças falam mais alto é porque a política falhou. […] Quando decidem ao arrepio das condições e da realidade, o que fazem é vender ilusões às pessoas e não resolver os problemas.”


O governante considera, por isso, que o problema da Grécia é um “problema político” sobre o qual será possível “tirar ilações políticas”, no futuro. Quanto à sua resolução, entende que esta cabe apenas ao governo helénico.

“É um problema político de médio e longo prazo que afetará todos os países da zona euro, mas não depende de cada um dos primeiros-ministros da zona euro. Resolver esse problema cabe ao governo grego. Nós não mandamos na Grécia.”

Esta terça-feira, também Maria Luís Albuquerque comentou a situação da Grécia, afirmando que a crise de Atenas não pode por em causa o futuro da Europa.

"Ninguém deseja um desfecho difícil, mas a Europa não pode ser posta em causa por um entre 28, porque os outros 27 continuam empenhados."


E tal como o primeiro-ministro reiterou, a ministra considera que a solução para a crise depende da atitude do governo liderado por Alexis Tsipras, nomeadamente de um reconhecimento de que os restantes países do euro também vivem democracias.