O primeiro-ministro criticou, esta sexta-feira, aqueles que parecem «zangados e contrariados» quando surgem boas notícias, considerando que vários sinais positivos «não são a garantia de que está tudo feito» e que o futuro «depende das escolhas de outros também».

Enquanto presidente do PSD, na cerimónia de apresentação dos candidatos aos órgãos autárquicos de Vila Real, Pedro Passos Coelho disse que quando hoje foram conhecidos os números exportações, se lembra «do que tem sido, mês a após mês, lutar contra o derrotismo e contra a ideia daqueles que dizem que assim não vamos lá e que assim não conseguimos vencer e que assim só conduzimos o país à desgraça».

«Nós sabemos que ainda há dificuldades. Nós ainda sabemos que vários destes sinais que vamos acumulando não são a garantia de que está tudo feito. Muito do que está à nossa frente depende das escolhas que fizermos todos os dias e depende das escolhas de outros também (...), nem tudo está na nossa mão, nem tudo depende só da nossa escolha», sustentou.

«Mas ao contrário daqueles que quando há boas notícias parecem zangados, contrariados por as notícias não serem más, por não confirmarem as suas previsões, nós dizemos: temos mais motivos para nos sentir confiantes que daqui para a frente encontraremos sempre novas, pequenas realizações que nos animam e que nos mostram que nos aproximamos cada vez mais da meta que estabelecemos de poder vencer estas dificuldades que herdámos, para as quais não contribuímos, mas que esperamos vencer», defendeu, numa crítica à oposição.

Passos Coelho garantiu que «o Governo está determinado, quaisquer que sejam as dificuldades, em não permitir que se deite fora, pela janela, todos os sacrifícios que se fizeram até hoje».

«Sabendo às vezes que, no curto prazo, nos dias mais imediatos, muitas consequências dessas políticas são sentidas como novas dificuldades pelas pessoas, às vezes apetece-nos dizer: podia-nos ter saído uma época melhor para governar», confessou.

«Sabemos que os próximos anos, que coincidem com um novo ciclo autárquico, terão uma oportunidade muito grande através dos fundos europeus, para que as empresas, as famílias, possam acreditar num futuro melhor», antecipou.

No entanto, o primeiro-ministro vincou que é preciso «saber gastar esse dinheiro» melhor do que foi feito «enquanto país nos últimos anos».

«O papel das empresas e do poder local será decisivo. Precisamos de ter um poder local mais próximo da realidade empresarial», enfatizou, defendendo a necessidade de «construir projetos mais transversais».

Na cidade onde viveu e tem as suas raízes familiares, Passos Coelho foi recebido entre aplausos e ambiente de festa, tendo sido solicitado por inúmeros dos presentes que o queriam cumprimentar.

Passos chegou pouco depois das 20:00 e, depois de umas breves palavras aos presentes na varanda da quinta onde decorreu o evento, seguiu-se o jantar, tendo o primeiro-ministro tido a oportunidade de ver Portugal vencer a Irlanda do Norte por 4-2, jogo a contar para a qualificação para o Mundial de futebol de 2014.