Se o Porto é uma nação, como se ouviu esta quinta-feira no comício da coligação PSD/CDS-PP, Santa Catarina é quase um "distrito" em matéria de arruadas. E a de hoje não desiludiu.

Entre tropeções e apertões, a mole humana subiu a rua pedonal, desceu Sá da Bandeira e desembocou na praça frente ao Rivoli, onde ja estava preparado o comício: Passos e Portas foram da arruada directos para o palco.

Mas até lá chegar, há sons a marcar a história do PAF nesta campanha em crescendo. “Há muita gente que quer estar connosco. Isto vai enchendo”, disse aos jornalistas o presidente do PSD, no caminho para mais um cumprimento, um beijinho, um aceno. É, aliás, um dos motes desta campanha: “Somos cada vez mais”, tem repetido Passos Coelho.

 
A 100 metros dali, a caravana do PS ia chegando para a arruada pelo mesmo cenário da baixa do Porto, que sairia 30 minutos depois, para que os apoiantes não se cruzassem.

Mesmo assim, antes dos candidatos chegarem ao local ainda houve duas escaramuças: só os seguranças já presentes no local evitam que chegue ao confronto físico. 

Os ânimos estão exaltados. Os candidatos da coligação estão quase a chegar e os jornalistas vão-se posicionando para não perderem pitada. O que não é fácil, mas importante: Santa Catarina é um medidor para que se estabeleçam comparações.

E a prova foi superada. Há quem garanta que há quatro anos não estava mais gente. Mas como diria o próprio candidato, repetente nestas andanças de legislativas, “é impossível avaliar: daqui não vejo”.

Aqui é o centro da “bolha”, rodeado de seguranças, candidatos, dirigentes políticos, jornalistas. Mas a pergunta é inevitável: “Embalado por este apoio, é hoje que pede maioria absoluta?”

Nem no centro da festa, o primeiro-ministro não desarma:

“Está muito claro que o próximo governo precisa de estabilidade e isso faz-se com uma maioria. Não posso ser mais objetivo e mais claro do que tenho sido”.


Poder até podia porque os apoiantes pedem apenas “maioria, maioria” quando há quatro anos clamavam pela “absoluta”, palavra banida desta campanha, e que os jotas substituem por outros cantigos: “Maioria, maioria”, “Já só faltam 3 dias para a vitória, para a vitória, para a vitória”.
  Mais animados era impossível e os membros do CDS-PP presentes vivem uma arruada só possível em coligação. Há até quem tire “uma selfie para o Guiness”, referindo-se à multidão que vai atrás da caravana.
  A distrital do Porto aposta forte na mobilização e joga tudo em terreno conhecido; compensou: esta costuma ser a maior arruada das campanhas para o PSD – a mais confusa, popular, mas também a mais genuína. Falta apenas a descida do Chiado, onde estará presente Marcelo Rebelo de Sousa, e o comício de encerramento. “É preciso dar tudo na reta final, e não falhar”, dizia à TVI24, fonte da caravana esta manhã, quando a coligação andou pela Trofa e Lousada.

Mas voltemos à arruada: uma manifestação destas exige cautelas redobradas quando o candidato é primeiro-ministro, mas também porque há sempre imponderáveis, qualquer que seja o candidato.

E se a comitiva esperava pelos lesados do BES em força pode respirar de alívio. Ouviu mais elogios do que críticas. Muitos queriam chegar perto: “Passos, és um homem coragem, estamos contigo até ao fim”. Mas nas laterais da arruada também há acusações: “Roubaste-me o ordenado!”. E é aí que as jotas entram para abafar: “Passos, amigo, o Porto está contigo”. E esteve.

E seguiu depois para o comício da Praça D. João I, em que os candidatos da coligação "carregaram" na ameaça de uma esquerda unida no Parlamento. Leia mais aqui