Pedro Passos Coelho reafirmou esta terça-feira que não convidou ninguém a emigrar. Depois de na segunda-feira ter afirmado que a ideia de que incentivou os jovens a emigrar era um "mito urbano", o primeiro-ministro voltou ao mesmo tema e adiantou que há outros mitos a circular, nomeadamente o de que falou na refundação do Estado.

O chefe do Governo deixou uma questão, em tom de desafio. 

"Já conseguiram investigar desde ontem [segunda-feira] uma frase minha em que eu tenha dito aos jovens portugueses que o que valia a pena era emigrar?"


Passos falou aos jornalistas à margem da entrega dos prémios "Fundação Ilídio Pinho - Ciência na Escola", em Castelo Branco. O primeiro-ministro sublinhou que o que disse foi que infelizmente cada vez há menos crianças e as escolas portuguesas estão a ficar com menos alunos e se existem menos alunos, não se pode ter mais professores.

"Aqueles que têm a vocação de ensinar, das duas uma: ou encontram uma alternativa no espaço da língua portuguesa ou então reconvertem-se e experimentam outras alternativas e outras experiências para poderem viver com dignidade. Mas isso não é convidar ninguém para a emigração."


Esta terça-feira, o governante adiantou ainda que existem outros mitos a circular, nomeadamente a de que falou na refundação do Estado.

"Podem procurar o mito de que eu tenha falado da refundação do Estado. Imensos jornais falaram da refundação do Estado, numa expressão que nunca utilizei. É outro dos mitos que se associa às minhas intervenções públicas, que eu defendi a refundação do Estado."


Passos fez questão de explicar que, neste caso concreto, apelou ao espírito refundador do memorando para se fazer a reforma do Estado.

Estas declarações remontam a outubro de 2012. Passos disse, na altura, que era necessária uma «refundação» do programa de ajustamento com a troika que permitiria fazer «uma profunda reforma do Estado» até 2014 e defendeu que o PS devia estar comprometido com esse processo.

O chefe do Executivo esteve esta terça-feira em Castelo Branco, onde presidiu à cerimónia de entrega do prémio "Fundação Ilídio Pinho - Ciência na Escola". O primeiro-ministro disse que está nas mãos dos que tomam decisões fomentar ainda mais a ciência e acrescentou que é isso que o Governo tem feito.

"Nunca o mundo teria chegado onde chegou se não fosse a descoberta que nos é dada pela ciência. Está nas mãos dos que tomam decisões fomentar ainda mais a ciência. É o que temos feito com a ajuda da Fundação Ilídio Pinho."


O primeiro-ministro recordou ainda que a Fundação Ilídio Pinho tem tido uma "enorme responsabilidade" ao longo dos anos para que este projeto pudesse ser desenvolvido, mobilizando escolas, estudantes e professores.