O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou este sábado o PS de ter “uma retórica infantilizada” sobre a austeridade, dizendo que está a acabar quando, na verdade, está a ser redistribuída com um orçamento restritivo. Com um discurso sempre pautado por críticas ao Governo, o líder do PSD acusou o PS de se “ajoelhar” perante a Comissão Europeia. Passos Coelho também falou sobre a TAP, acusando o Governo de usar chumbo da ANAC para reverter processo.

“Restritivo é a nova palavra para a austeridade socialista”, afirmou, ironizando que, “com o socialismo, não há austeridade”, mas sim “orçamento restritivo”.

Passos Coelho falava nas Caldas da Rainha, onde este sábado encerrou o 1.º Congresso Distrital Autárquico que reuniu autarcas e militantes de todo o distrito no Centro Cultural e de Congressos. 

Acusando o Governo de uma “retórica infantilizada sobre a austeridade e sobre o crescimento e desenvolvimento do país”, o presidente do PSD criticou a ideia “de que vai haver mais dinheiro para a educação, que vai haver mais dinheiro para a saúde, para a segurança social, vai haver mais dinheiro para tudo”. O que há, considerou, é “um orçamento restritivo”.

“Aumentaram os salários, mas não deram mais dinheiro, por exemplo, aos hospitais ou às universidades para pagarem os aumentos salariais. (..) Na verdade o que se está a fazer é a redistribuir a austeridade, dando com uma mão e tirando com a outra.”

Considerando que o Orçamento do Estado “não passa de uma espécie de intenções”, Pedro Passos Coelho acusou o Governo de não “ter sequer capacidade para assumir os compromissos” e de vir ainda acusar o líder do PSD de “andar a manobrar a Europa para pedir mais medidas” de austeridade.

“É uma infâmia”, declarou, repudiando “esta maneira de fazer política”, que considera resultar “ da necessidade de [o Governo] agradar aos partidos de que depende”.

O discurso de quase uma hora foi sempre pautado por críticas ao Governo. O líder do PSD acusou mesmo o PS de se “ajoelhar” perante a Comissão Europeia.

Lembrando o anterior posicionamento do Bloco de Esquerda em relação ao Syriza, Passos afirmou que agora “há uma nova retórica” do partido que “já não revê” no Governo Grego por ter “ajoelhado na Europa”. E como, por cá, “o BE não ajoelha, que ajoelhe o PS que está no Governo”, ironizou.

“O PS, até ver, lá vai ajoelhando. E disfarça cada vez que vai ajoelhando dizendo ‘não, nós estamos de pé’”.

Passos acusa Governo de usar chumbo da ANAC para reverter processo

Passos também abordou o assunto TAP. O líder social-democrata desafiou o Governo a esclarecer a sua posição na TAP e nos Transportes de Lisboa e do Porto, responsabilizando-se pelas consequências de “desfazer” os negócios.

“Não conhecemos sequer, em toda a extensão, o memorando que foi assinado entre o Estado e o consórcio que ganhou a privatização [da TAP]. Sabemos apenas que parece que o Estado terá 50%”, afirmou o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusando o Governo de ter ido ao parlamento “explicar-se”, mas “sem explicar nada”.

O Presidente do PSD questionou se afinal a TAP é “pública ou não”, qual a autoridade do Estado sobre a empresa e se esta contará ou não para a consolidação da esfera pública, do setor empresarial do Estado.

Passos que ainda saber “quem vai decidir” o futuro da transportadora aérea portuguesa e deixou ao Governo Socialista um repto, “para que assuma a responsabilidade de desfazer [o negócio]”, sem aproveitar, “de forma enganosa, a posição da Autoridade Nacional da Aviação Civil, que, na ausência da informação que lhe deve ser prestada [pelo Estado e pelo consórcio], não pode permitir que este processo continue a avançar”.

Em matéria de transportes, Passos Coelho teceu também críticas à falta de resposta do Governo às dúvidas levantadas pelo Tribunal de Contas à concessão dos transportes de Lisboa e do Porto, e ao facto de ter dito “que havia ilegalidades”.

Negando a existência de quaisquer ilegalidades, o ex-líder do Governo considera que “o que há é uma apropriação, uma falsificação da realidade para a poder casar com aquilo que é a vontade do Governo”.

Se o Governo socialista “não quer aquelas concessões” e “indemnizar aqueles que concorreram, que o diga e que explique aos portugueses porque prescindimos de poupar 440 milhões de euros, nos próximos dez anos, em empresas que podiam ser bem geridas” e que, considerou, “não teriam um agravamento de preços superior ao da inflação”.

Até porque, “o que ofende a equidade em Portugal, é poder ter empresas públicas que possam gerar prejuízos que são pagos pelos impostos de todos os portugueses”, apesar de “não servirem todos os portugueses”, concluiu.