O primeiro-ministro entende que as propostas apresentadas esta terça-feira por um grupo de trabalho socialista são uma forma de «ajudar o PS» a ganhar as eleições legislativas e não de «resolver os problemas do país». Tal como a direção do PSD já tinha sublinhado ontem, Passos Coelho voltou a referir as semelhanças com o programa dos governos de José Sócrates.
 

«[As propostas] são claramente representativas de uma estratégia económica que não é a nossa. É uma estratégia económica que o PS já defendeu no passado, já executou no passado e cujos resultados os portugueses conhecem».


Segundo Pedro Passos Coelho, que não comentou as medidas em concreto, o relatório divulgado ontem mostra que o PS «reconhece que o país não se encontra nas mesmas circunstâncias do que em 2011».
 

«Aquele debate sobre a sustentabilidade da dívida, o que teremos de fazer nos anos mais próximos para devolver às pessoas uma esperança maior, está hoje ao nosso alcance e isso deve-se, ainda que o PS faça uma espécie de confissão envergonhada, àquilo que foi o nosso esforço durante quatro anos».


Para o primeiro-ministro, «felizmente» há agora «condições» para «fazer escolhas com mais liberdade sobre o futuro».
 

«Escolhas que não tivemos, e eu não tive, nos últimos quatro anos».


Em declarações aos jornalistas, no Estoril, Passos Coelho até começou por saudar a iniciativa do PS. No entanto, pediu aos socialistas que disponibilizem dados num formato que permita fazer contas, porque não acredita que estas resultem.
 

«É importante os partidos, ainda para mais em ano eleitoral, terem a transparência de dizerem ao que vêm, definirem com clareza a sua estratégia para futuro. Isso deve ser saudado. E como primeiro-ministro, mais até do que como dirigente partidário, não posso deixar de saudar essa preocupação do PS».


Contudo, considerou que era «importante que, na forma utilizada para apresentar estas medidas, o PS pudesse também adotar um formato que fosse auditável, sindicável» para «que se possa fazer contas», manifestando dúvidas sobre se «essa estratégia permite ou não cumprir as metas do défice e do desendividamento».
 

«De acordo com os dados que temos, e que jogámos em interação de informação com a Comissão Europeia, não nos parece que estes dados nos permitam baixar o nosso défice estrutural - de resto, há uma total omissão quanto a essa matéria naquilo que foi ontem apresentado pelo PS».


De acordo com Passos Coelho, não se percebe «o que vai passar-se com o défice estrutural nas contas socialistas» e as mesmas deixam incertezas também quanto a evolução da dívida: «As contas não nos permitem ser concludentes sabendo se respeitaremos ou não o desendividamento a que estamos obrigados».

Segundo Passos Coelho, o PS devia expor o seu plano macroeconómico «da mesma maneira, por exemplo, que o Governo apresentou o Programa de Estabilidade, o submeteu à discussão no parlamento, obteve da parte do Conselho de Finanças Públicas já um parecer, fornecendo todos os quadros e toda a informação pertinente e relevante para que se possa fazer contas» e verificar se cumpre ou não as regras.
 

«Tudo isso obedece a requisitos próprios que não estão ainda reunidos na forma como o PS apresentou as suas medidas. Portanto, para podermos fazer bem contas é preciso que na forma de apresentar essas medidas se recorra a um formato em que toda a gente possa confirmar, fazer as contas, perceber o que é que significam aquelas opções».