O presidente do PSD acusou o Governo de fazer do investimento público a variável do ajustamento orçamental, argumentando que o executivo está disposto a não gastar nada até ao final do ano se for preciso para cumprir défice.

"O investimento público está em forte contração, sem que isso provoque nenhum problema de coerência entre aqueles que suportam o Governo, mas não há nenhuma dúvida: o investimento público é hoje a variável de ajustamento orçamental e se for preciso não gastar nada até ao final do ano para cumprir a meta, o governo não gastará nada", afirmou Pedro Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho ressalvou esperar "que o Governo cumpra a meta do défice porque ela é importante para as finanças públicas do país e para a credibilidade do país", sublinhando que "o que tem é de se saber é que o caminho que está a ser seguido não é necessariamente aquele que tinha de ser seguido, porque havia alternativas".

O líder social-democrata falava no Parlamento, no encerramento de um debate de urgência convocado pelo PSD sobre captação de investimento e crescimento económico, no qual esteve presente o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Passos Coelho disse que não vale a pena "usar malabarismos" com dados estatísticos de entidades credíveis, porque "o desempenho da economia está francamente abaixo da expectativa do Governo e dos agentes no mercado".

"A nossa economia está acrescer sensivelmente metade daquilo que se esperava", afirmou, argumentando que "uma das fraquezas do processo de recuperação está precisamente na variável investimento".

Defendendo que é preciso "atender à qualidade do investimento", o ex-primeiro-ministro afirmou que não é com o capital que o país detém que consegue crescer o suficiente, sendo necessário exportar mais e atrair mais investimento direto externo.

"É difícil não ter uma estratégia clara para isto e ao mesmo tempo acrescentar dúvidas quanto à permanência de Portugal no euro, quanto à necessidade de reestruturar ou não a dívida - é a discussão que é suscitada no apoio que é dado ao Governo", sustentou.

"Quando o Governo tem ideias como colocar acesso a contas bancárias a partir de 50 mil euros, alterações ao IMI, alterações ao arrendamento urbano, quando fala sobre novos imposto sobre o património justamente na área imobiliária que é aquela que mais dinamismo tem tido nos últimos anos, quando o ministro das Finanças vem dizer que pode haver mexidas nos impostos indiretos, nós sabemos que esse não é o caminho", concluiu.