O líder do PSD acusou o primeiro-ministro de "criar falsidades" sobre o que ele diz, acusando ainda o PS de "evidenciar um tique de intolerância" ao responder com ataques pessoais às críticas políticas que são feitas ao Governo.

Tenho ouvido, já por várias vezes, o primeiro-ministro, por exemplo, criar falsidades sobre coisas que eu digo e nunca o ouvi retratar-se dessas coisas", afirmou Pedro Passos Coelho, em Vila Real, onde esteve para a apresentação das listas autárquicas àquele concelho.

"Ainda há pouco tempo resolveu dizer que eu andava todos os dias a criticar os bombeiros, foi coisa que nunca fiz, o PSD deu-lhe possibilidade de ele poder corrigir, pode-se ter enganado por qualquer razão. Ostensivamente o primeiro-ministro ignora isso", exemplificou.

Questionado sobre se espera que António Costa se desculpe, Passos Coelho não se mostrou preocupado com isso: "Não tenho que estar à espera, isso é uma coisa que o devia preocupar sobretudo a ele, porque alguém que está nesta posição deve procurar sempre ser o mais objetivo possível", disse.

"Nós podemos ter ideias diferentes, mas não temos que inventar factos que não existem", considerou, deixando criticas ao PS.

Julgo que o PS está a evidenciar um tique de intolerância e arrogância que não é compatível com o que um grande partido como é o Partido Socialista no sistema politico português deve evidenciar", salientou.

Como exemplo, Passos Coelho apontou a forma "violenta" como o PS reagiu às declarações de Paulo Rangel - que afirmou que os "portugueses são vítimas" das políticas do Governo - e do ex-presidente da República, defendendo que as "observações" de Cavaco Silva sobre o silêncio de alguns setores políticos foram "justas".

Eu não sei o que há de indigno na denúncia que o Dr. Paulo Rangel fez. Se o Dr. Paulo Rangel tivesse, como supõe o porta-voz do PS, falado ou em vítimas mortais, eu até percebia a leitura de que se estivesse a referir à tragédia de Pedrógão, mas não foi o caso", explicou Passos Coelho.

Segundo o líder social-democrata, "quando o Dr. Paulo Rangel diz que os portugueses são vítimas destas politicas do Governo na área da Saúde, da Defesa, da Educação, na Proteção Civil, da Segurança, não está a dizer mais do que a realidade e o Governo deve saber lidar com essa critica".

Quanto a Cavaco Silva, o líder do PSD referiu que o ex-chefe de Estado, na Universidade de Verão da JSD, fez uma "denúncia relevante" quanto aos "equívocos que se geram" no contexto europeu sobre o "que é possível fazer quando se está no Governo e se quer cumprir as metas europeias".

O PS reagiu com uma violência como se o dr. Cavaco Silva não tivesse a possibilidade de dizer o que pensa, manifestar a sua opinião. Ainda para mais, elas [opiniões] têm total aderência à realidade", salientou.

"Não se trata só de me rever nelas, elas são factuais e eu, de resto, presenciei-as. Quem estivesse com o mínimo de atenção ao que se passou na Grécia nestes anos só pode concordar com a opinião que foi expressa", disse.

Já quanto a quem viu nas palavras de Cavaco Silva sobre a política interna uma crítica ao atual Presidente da República, o líder do PSD discordou dessa leitura: "Nunca ouvi o dr. Cavaco Silva fazer uma crítica direta ao atual Presidente da República, mas reconheço-lhe todo o direito de defender o seu próprio estilo, quer de mandatou presidencial quer de primeiro-ministro".

Passos defendeu que Cavaco "entendeu que tinha um caso em França, com o novo Presidente francês que se aproxima daquele que foi o seu próprio estilo e a sua maneira de estar", acrescentando não entender "em que é que isto possa ser ofensivo ou menos próprio. Pelo contrário".

"Ninguém se pode ou deve sentir melindrado por ele ter as suas preferências e o seu estilo. Infelizmente, hoje em dia, um bocadinho como no futebol, joga-se mais às pernas dos políticos do que às ideias e aos argumentos que eles usam. Era melhor que quando PS reage as críticas que lhe são feitas usasse argumentos políticos também e não procurasse desqualificar os adversários, às vezes insultar as pessoas. Acho que isso não fica bem", concluiu.

“Guerras sindicais” podem “desbaratar” conquistas da Autoeuropa 

O líder do PSD alertou na sexta-feira à noite para que "guerras sindicais" e "razões de pequena política" podem "vir a desbaratar" as conquistas da Autoeuropa e pôr em causa o "peso nas exportações" que a multinacional representa.

Eu não gostaria de que, por razões de pequena política, esse resultado [a conquista pela Autoeuropa da produção de um novo modelo automóvel], que foi um resultado tão importante para a economia portuguesa, para os portugueses, pudesse vir a ser desbaratado por guerras sindicais que têm outro objetivo", afirmou Pedro Passos Coelho.

O ex-primeiro-ministro salientou ainda que a primeira greve na história daquela multinacional ocorreu quando a "geringonça" está no poder, o que é um "indicador" das prioridades dos partidos que a sustentam.

Hoje, creio que dentro da própria maioria já se ouvem acusações mútuas, nomeadamente entre o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, sobre a instrumentalização que está em curso e que pretende, de certa maneira, dar à CGTP uma porta de entrada mais significativa naquela empresa e na relação de forças com o Governo", salientou Pedro Passos Coelho.

Para o presidente dos sociais-democratas, "o que devia estar ali em causa era a possibilidade de mais trabalhadores poderem ser contratados, mais emprego e, portanto, crescer com aquilo que foi a ampliação com o novo modelo", decidido ainda no tempo em que o PSD era governo, coligado com o CDS-PP, mas, referiu, "isso manifestamente está a passar para um segundo plano".

Aquela inversão, alertou, tem consequências: "É negativo porque nós precisámos cada vez de maior capacidade exportadora, maior capacidade de gerar emprego e emprego sustentável", explicou.

Passos Coelho referiu que "para o ano Portugal deveria beneficiar muito em termos de exportações, de peso nas exportações, da produção deste novo veiculo na Autoeuropa e era muito importante que Portugal mantivesse do lado destes investidores um perfil muito competitivo, em que as divergências, a existir, entre a Comissão de Trabalhadores e a administração da empresa pudessem ser superadas como foram em todos estes anos".

Alias, salientou, "esta foi, portanto, a primeira greve em mais de 25 anos" de presença da Autoeuropa em Portugal.

A primeira greve com a ‘geringonça’. Ela não aconteceu antes, o que deve dar um indicador de como para os partidos que a compõem aspetos como os que eu referi estão num segundo plano e outros têm tido uma proeminência maior, tanto mais que se chegou à greve", concluiu.

"Estabilidade fiscal” nos escalões de IRS 

O líder do PSD defendeu, sexta-feira, que o Governo devia "privilegiar a estabilidade fiscal" e acusou o executivo de António Costa de estar a fazer a discussão orçamental de uma forma "que não é séria" e com fins eleitoralistas, desafiando o primeiro-ministro a fazer uma escolha e apresentar o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) antes das eleições autárquicas de 1 de outubro ou ser um "bocadinho mais contido" no que revela sobre aquele documento.

No sábado, na ‘rentrée' socialista, o primeiro-ministro, António Costa, assegurou que o OE2018 continuará a aumentar o rendimento das famílias e, por isso, serão introduzidos mais escalões no IRS, "para que quem ganhe menos, pague menos".

O Governo devia privilegiar a estabilidade fiscal, o que significa não andar a mexer nos escalões. Se andarmos a mexer todos os anos nos escalões isso não dá estabilidade, as pessoas têm uma noção menos fácil de qual é a tributação que podem vir a ser sujeitas. Se o Governo tem alguma folga para baixar os impostos, deve fazê-lo nos escalões que existem", defendeu o ex-primeiro-ministro.

Também a propósito do que tem vindo a ser revelado sobre o que pode vir a estar contemplado no OE2018, Pedro Passos Coelho voltou a criticar a "insistência que o Governo faz na abordagem orçamental", considerando que "está a conflituar" com a proximidade das eleições autárquicas.

Isto de dar as notícias que se entendem como sendo boas até às eleições autárquicas, guardando as que podem ser menos boas ou desfavoráveis para depois, não é uma forma séria de fazer a discussão orçamental", acusou.

Por isso, o líder social-democrata apontou duas possibilidades a António Costa.

O Governo devia fazer uma de duas opções. Ou apresenta o Orçamento antes das eleições autárquicas para os portugueses saberem todos com que é que vão contar quando vão fazer as suas escolhas, ou entende manter o calendário normal, e está no seu direito, ou então devia ser um bocadinho mais contido na forma como utiliza a discussão orçamental para favorecer as candidaturas autárquicas dos partidos que suportam o Governo", apontou.

"Isto de dar as noticias que se entendem como sendo boas até as eleições autárquicas guardando as que podem ser menos boas ou desfavoráveis para depois, não é uma forma séria de fazer a discussão orçamental", enumerou.