O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou esta sexta-feira o primeiro-ministro, António Costa, de fazer um "ataque descabelado" e inédito ao Banco de Portugal e de governar com falta de cultura democrática.

Nada justifica o ataque institucional declarado a uma entidade independente por parte de um Governo que sabe que, para conduzir a estratégia de desnorte em que mergulhou, precisa de comandar tudo e ter quem lhe obedeça, e quem discordar, a bem ou a mal, tem de mudar", criticou presidente do PSD.

Passos Coelho, que falava no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Santarém; acrescentou: "Isto não é uma democracia com os pesos e contrapesos que são necessários, com a divisão de poderes que é necessária, com a limitação das competências que são necessárias a uma sociedade plural e equilibrada. Nós vamos ouvindo, à medida que os meses passam, várias manifestações desta falta de cultura democrática".

De acordo com o ex-primeiro-ministro, o Governo do PS fez "um ataque descabelado ao Banco de Portugal, à autoridade independente, ao supervisor independente", o que apontou como um "episódio inédito" e "inaceitável".

No entender de Passos Coelho, o PS tem-se aproximado dos "partidos mais radicais", comportando-se "dentro da lógica do quero, posso e mando".

"Quando não se concorda com eles, não são tolerantes e atacam violentamente as instituições. Este comportamento não pode continuar", defendeu o presidente do PSD, considerando que "não é sequer corajoso", pois "é o comportamento de quem atira a pedrada e depois quer esconder a mão".

"O que é que vamos dizer aos investidores, o que é que vamos dizer aos nossos parceiros europeus? Que nos estamos a transformar num país em que todos os que não concordam connosco têm de ser removidos ou pôr o lugar à disposição porque só aceitamos a unicidade da decisão que o Governo tomou?", questionou Passos Coelho.

O ex-primeiro-ministro reivindicou ter sempre respeitado as instituições, mesmo quando discordou delas.

"Quem se comporta como este Governo se tem comportado não respeita as instituições e é uma ameaça à confiança", reforçou.