É o último dia e a coligaçao joga tudo por tudo. Encheu o mercado da vila em Cascais e prepara a arruada em Lisboa, na já tradicional descida do Chiado, que desta vez será o PS a percorrer primeiro.

Antes da rua, no almoço-comício, em Cascais, o militante número do 1 do PSD a subiu ao palco para pedir maioria absoluta. “Não preciso, nem quero ser tão cauteloso e por isso falo em em  maioria absoluta”, a “bem do país”.

O também primeiro-ministro aproveitou a deixar e recordou uma pergunta que lhe fizeram ontem: “Perguntaram quando é que eu comecei a pensar que era possível ganhar as eleições. Durante três anos não pensei nisso, não tive tempo”. Mas agora, “acredito que vamos ganhar as eleições”.

Até porque, “seria uma dor de alma deitar fora todos os sacrifícios que fizemos durante a quatro anos, agora que o país está a recuperar economicamente”.


O líder dos sociais-democratas disse ainda que a coligação está disponível para a "construção de soluções", mas advertiu que outros não estão, voltando a dramatizar a necessidade de uma maioria parlamentar que evite uma crise política, um tema que ganhou fôlego nos últimos dias da campanha.

Para Passos Coelho, "deve governar quem ganhar as eleições"; já sobre a governabilidade pós-eleitoral, o líder do PSD não exclui a possibilidade de os dois partidos formarem uma bancada única.  O tema do grupo parlamentar conjunto, publicado esta sexta-feira no Expresso, e a que Passos Coelho tinha já respondido aos jornalistas para dizer que a “hipótese não está em cima da mesa”, mas  não é de descartar por completo :

"Se por qualquer formalismo, no parlamento, tivéssemos de fazer alguma coisa, nomeadamente constituir um grupo parlamentar conjunto, para afastar qualquer dúvida formal quanto à nossa capacidade para apoiar um Governo, seguramente que o faríamos”.

No almoço, Passos desvalorizou a questão: "Haverá alguma dúvida sobre o que faremos com os deputados que eles nos vierem a eleger no domingo? Eu acho que não".

Paulo Portas tinha já subido ao palco para recordar a Aliança Democrática: "Os líderes de então eram únicos e irrepetíveis, mas há uma coisa que eu senti e que me fez lembrar o que eu vivi quando era muito miúdo, a esperança de muitos portugueses em que estes dois partidos sejam capazes de ter um resultado que garanta ao país que vamos para bem melhor". Mas em 1979, sublinhou,  "o que estava em causa era mostrar que Portugal era uma democracia europeia e que o Conselho da Revolução não era o proprietário da democracia".

"Hoje o que está em causa é nós podermos avançar, irmos em frente, e, com todo o respeito, não pormos no Governo os Syrizas cá do sítio".

Passos e Portas "funcionam"

Antes, o histórico social-democrata, Pinto Balsemão, tinha feito rasgados elogios a Passos e Portas e sobretudo "ao perfeito entendimento que em todo o país e em todas as circunstâncias" demonstraram nesta campanha. E ainda arrancou gargalhadas à audiência:
 

"Eu acho até que eles vão ter tantas saudades um do outro que são capazes de passar o dia de reflexão juntos".


Depois de rasgados elogios aos dois candidatos - de Passos que tem sido "um excelente primeiro-ministro", um homem "corajoso, inteligente e bem-educado", que "não precisa de recorrer aos truques baixos"; de Portas apontou o "indiscutível mérito", a "cultura", e até os tempos em que o líder dos democratas-cristão era diretor do semanário "Independente" e "procurava morder os calcanhares do Expresso".

No almoço, marcaram presença vários elementos do Governo -  António Pires de Lima, Paulo Macedo, Nuno Crato -, a presidente da Assembleia da República que já tinha entrado na campanha em Chaves, e ainda o líder da distrital de Lisboa do PSD, Miguel Pinto Luz, que apostou forte na mobilização local para encher o mercado de Cascais.