líder do PSD, Passos Coelho, desafiou hoje o primeiro-ministro a fazer "as reformas que são importantes para o país" e estranhou que se esteja a tratar da integração dos precários sem discutir as necessidades na Administração Pública.

Já estamos a discutir, pela mão da maioria, a integração dos precários na Administração Pública e ainda não houve ninguém que perguntasse, no seio da maioria e do Governo qual Administração Pública, o que queremos da Administração Pública nos próximos anos?", questionou Pedro Passos Coelho, no encerramento da convenção autárquica distrital do PSD em Lisboa.

O líder social-democrata criticou que se estejam "a converter vínculos precários em permanentes sem saber se é nas áreas que são importantes, que estão em défice".

É esta discussão que não está a ser feita e que deve ser feita com coragem, é esse o desafio que deixo ao primeiro-ministro: poder discutir as reformas importantes que o país precisa de fazer", apelou.

Só assim, defendeu, o país poderá quebrar o ciclo de crescimento de "1,4 ou 1,5 ou 1,6 por cento" e tornar os "efeitos cíclicos em permanentes".

Dizendo que é importante "puxar por tudo o que é positivo" e que "não é a falar das coisas que correm mal" que se mobilizam as pessoas, Passos Coelho contrapôs que "é muito importante que o PSD não perca esta qualidade de chamar a atenção, mesmo no meio da festa, para aquilo que é importante".

"O que nós queremos é que este crescimento dure e não se esfume assim que os sinais da conjuntura puderem passar, isso exige uma agenda reformista que não é conhecida nesta maioria", avisou.

A dois dias de se saber se a Comissão Europeia irá propor a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), Passos Coelho alertou que é importante "não esquecer que isso já aconteceu no passado" e depois o país voltou a registar défices superiores aos impostos por Bruxelas.

"Se não queremos voltar a esse processo é muito importante não voltar a repetir a falta de ambição no futuro. Sempre que nos fixamos no curto prazo, para surfar a onda e fazer a festa, e nos esquecemos que, depois das próximas eleições autárquicas, vem mais um ano e outro ainda... É preciso olhar para os portugueses não como ativos eleitorais", desafiou.