O presidente dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho, defendeu esta sexta-feira na abertura do XXXV Congresso do PSD que o partido não é menos social-democrata do que quando foi fundado, há 40 anos.

Passos vaiado à entrada do Coliseu de Lisboa

«O PSD não é hoje menos social-democrata do que nasceu», afirmou Pedro Passos Coelho, no palco do Coliseu dos Recreios de Lisboa.

«Houve muita gente que no espaço público encontrou maneira ou de nos apelidar de neoliberais ou até, pasme-se, de estalinistas», referiu, em seguida, o atual primeiro-ministro, acrescentando: «Mas, nestes dois anos, dedicámos o melhor desde nós próprios a procurar salvar Portugal da bancarrota».

Ministros confiantes na matriz social-democrata

Três ministros da maioria presentes na abertura do 35.º Congresso do PSD, em Lisboa, mostraram-se hoje confiantes num rumo de desenvolvimento para Portugal na matriz social-democrata do partido, após a intervenção da troika.

«Pode haver uma certa ideia de banalização do congresso, mas este é o primeiro congresso que tem condições para preparar uma agenda política pós-troika, para lá do memorando e do resgate», disse o vice-presidente laranja Jorge Moreira da Silva, à entrada para o Coliseu dos Recreios.

O também ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia sublinhou que «este congresso está precisamente destinado a encontrar uma estratégia de responsabilidade orçamental e de crescimento, desenvolvimento e emprego».

«Portugal tem tudo para vencer nesta nova economia. Tem talentos, recursos infraestruturas. A responsabilidade orçamental não termina com a saída da troika. Terá de ficar connosco durante muito tempo. As políticas públicas não podem estar sempre a ser descontinuadas, na saúde, educação, ordenamento do território energia», desejou.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, também perspetivou o evento como uma oportunidade para haver «uma definição clara daquilo que vai ser a estratégia do partido para os próximos dois anos».

«Se Deus quiser, contemplarão a saída do resgate financeiro, a soberania nacional plena em termos financeiros, e a necessidade de, continuando uma política de rigor e de exigência, serem traçados caminhos de progresso e de esperança diferentes daqueles em que o país se encontrava há dois anos», afirmou Marques Guedes.

Sobre as críticas de adoção da ideologia neoliberal, o responsável governamental reiterou que «a social-democracia nunca desapareceu do PSD».

«Não se confunde aquilo que é o trabalho numa situação de emergência em que o país foi colocado, com a soberania bastante reduzida, que foi aquilo que este Governo encontrou, com algum abandono ou alteração à ideologia ou programa próprios do partido», justificou, acrescentando esperar que o congresso «possa reafirmar exatamente os princípios e a ideologia essencial que o partido tem».

Para o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, «o partido é, sempre foi e sempre será, um partido social-democrata».