O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, escusou-se esta quinta-feira a comentar eventuais cenários negativos do Programa de Estabilidade antes de o Governo o apresentar, considerando que o mais importante é conhecer a estratégia orçamental de médio prazo.

Passos Coelho escusou-se hoje a comentar a notícia avançada pela TSF de que o ministro das Finanças se prepara para rever em baixa as previsões de crescimento da economia no Programa de Estabilidade.

Nós falaremos disso quando o Governo apresentar as suas previsões, não vale a pena estar a antecipar. Quando o Governo apresentar o Programa de Estabilidade depois falamos nisso", respondeu o líder da oposição quando questionado pelos jornalistas à margem da inauguração da Mercearia Social Valor Humano, em Lisboa.

Sobre a expectativa em relação ao Programa de Estabilidade, Passos Coelho defendeu que "o mais importante de tudo é saber qual é a estratégia orçamental de médio prazo que o Governo pretende desenvolver".

Isso é o importante e isso só saberemos quando o Governo comunicar porque, como foi patente durante a discussão do Orçamento do Estado, uma coisa é saber o que é que se vai fazer num ano, outra coisa é apresentar a perspetiva de médio prazo, como é que vamos lidar com as questões orçamentais e económicas nos próximos três anos e é isso que de alguma maneira é essencial para captar a confiança e a estabilidade do lado dos agentes económicos", justificou.

Passos Coelho reiterou que aguarda pela apresentação da estratégia por parte do Governo, dizendo que o executivo "ainda está a discutir isso dentro da maioria", não sendo sequer "uma conversa que tivesse transpirado para os partidos da oposição".

O líder social-democrata escusou-se a comentar as primeiras mexidas no Governo, no dia em que tomaram posse o novo ministro da Cultura e os secretários de Estado da Cultura e da Juventude e do Desporto.

Não vou comentar alterações ao executivo porque isso é uma matéria que cabe ao primeiro-ministro e como é público eu não sou primeiro-ministro. Não faço nenhum comentário sobre questões que dizem respeito à composição do Governo. Isso é matéria do primeiro-ministro", respondeu apenas, apesar da insistência dos jornalistas.

Passos Coelho sublinhou ainda que quando foi apresentado o Orçamento do Estado para 2016 o PSD avisou que "o cenário macroeconómico era demasiado otimista".

"E não o dissemos de forma isolada, havia várias instituições, quer nacionais, quer estrangeiras, que chamavam a atenção para isso. Os últimos indicadores que foram sendo apresentados apontam também nesse sentido, mas agora cabe ao Governo apresentar o seu próprio cenário", defendeu.