Passos Coelho garantiu, esta terça-feira, que a mudança de agenda desta terça-feira, com a marcação de uma arruada no Montijo, não se trata de uma "estratégia".

Questionado pelos jornalistas "se é uma estratégia avisar tão em cima da hora para não ser surpreendido por protestos", Passos Coelho foi peremptório. 

"Não. Claro que não. A agenda da campanha foi fechada há muito tempo e se há coisa que temos feito é tirar eventos do programa porque esta é uma agenda muito cheia e temos tido a noção de que os jornalistas andam a correr e não tem tempo para enviar as peças. E portanto, aquilo que nos temos feito é retirar momentos da agenda de forma a permitir que vocês trabalhem com mais condições, e a campanha chegue às pessoas também em melhor condições".


Mas a pergunta tinha como alvo as manifestações dos lesados do BES ou "senhoras de cor-de-rosa" e o primeiro-ministro percebeu: “Eu não tenho nenhum problema em falar com toda a gente que encontro na rua e foi isso que eu fiz nos últimos quatro anos, em circunstâncias bem mais difíceis do que aquelas que vivemos agora".

Isso "não quer dizer que esteja tudo bem", "estamos cheios de vontade de acrescentar emprego e perspectivas para o país", mas temos "algo importante para mostrar". E, por isso, admite, a campanha de agora é bem diferente da de 2011: "Este roteiro mostra investimentos relevantes nas mais variadas áreas da economia nacional", explica, daí, por exemplo, a visita desta terça-feira, na zona industrial do Barreiro. "Se mostrarmos que conquistamos a confiança dos dos empresários, talvez, depois das eleições o nosso rating volte a subir".

Um desejo e talvez o próximo tema das intervenções eleitorais, nos comícios da praxe. Até lá, e para variar da campanha que passa demasiado tempo com militantes, que já estão convencidos sobre quem irão eleger - e muito pouco com os transeuntes na rua, numa altura em que as sondagens provam que o número de indecisos é decisivo para o dia 4 de outubro.