Passos Coelho afirmou esta quinta-feira que o Governo não está a «pedir mais» impostos aos portugueses do que já pedia, depois de ontem o Executivo ter anunciado o aumento do IVA e da TSU.

O primeiro-ministro alegou que no próximo ano o Governo vai reduzir o défice para 2,5 % sem cortar mais nos salários nem mexer nos impostos. Num encontro com os trabalhadores sociais-democratas, Pedro Passos Coelho explicou que o aumento do IVA e da TSU servem para garantir a sustentabilidade da Segurança Social e não para reduzir o défice.

«O que estamos a pedir não é mais do que aquilo que já pedimos, não estamos a acrescentar nada, não estamos a ir buscar mais financiamento do que íamos buscar antes, é exatamente o mesmo, não estamos a acrescentar nada», disse Passos Coelho.

«Que o que era necessário em termos de financiamento seja agora repartido de uma maneira diferente. 0,25 por IVA e 0,2 da TSU custarão menos a suportar pela generalidade dos portugueses do que o mesmo valor do que só entre os pensionistas», defendeu.

Passos Coelho sublinhou que «o Estado ainda tem de gastar menos nos próximos anos» e assegurou que a redução do défice será feita «sem precisar de aumentar impostos nem cortar no rendimento».

«A despesa pública irá reduzir-se em 2015 em 1.400 milhões de euros, não apresentamos nenhuma medida de mais impostos nem redução nos salários», disse, acrescentando que o objetivo será atingido «pela reforma do Estado e pela redução da despesa corrente primária».

O primeiro-ministro disse ainda que o Governo não fará «políticas eleitoralistas», afirmando que «a responsabilidade vai continuar».

«Os portugueses perceberam como ninguém o desvario passado. Ninguém tome os portugueses por tolos, não vamos fazer políticas eleitoralistas», disse.

Passos Coelho afirmou também que o país está em condições de caminhar pelas próprias posses e pelos próprios meios depois da saída do programa de ajustamento a 17 de maio.

«Estamos em condições de apresentar aos portugueses a nossa estratégia orçamental para os próximos anos e ao mesmo tempo mostrar aos portugueses que a caminho que percorremos até aqui permite-nos hoje caminhar pelas nossas posses e pelos nossos meios a partir de agora», disse.

O primeiro-ministro discursava na sessão comemorativa do Dia do Trabalhador promovida pelos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD) num hotel em Lisboa.

Pedro Passos Coelho reiterou que o Governo vai concluir «o seu trabalho a 17 de maio», afirmando que a última avaliação do programa de ajustamento financeiro «está praticamente concluída».

«Fechamos o período sabendo que os portugueses tiveram um comportamento extraordinário, mas não com a ajuda dos partidos da oposição», afirmou, dizendo sentir «mágoa» por estar «a abrir uma janela para o futuro», apesar da atitude da «generalidade dos partidos da oposição».

Passos Coelho mostrou-se satisfeito por «encerrar o período e não prolongá-lo» e criticou os «agentes políticos que vivem e se alimentam da crise, das medidas difíceis e que não tem uma mensagem de esperança nem nada a oferecer aos portugueses».

«Esses esperariam, para continuar o seu discurso, que tivéssemos chegado ao fim do período a dizer não que conseguimos fechar a emergência, que não conseguimos reduzir dependência externa, que precisamos de mais ajuda externa, de prolongar austeridade de e de adotar mais medidas de correção», considerou.

Passos Coelho reiterou que hoje pode dizer que o Governo «está em condições de fechar» o período de ajuda externa, de «agradecer a ajuda que foi dada» e de reconhecer o esforço dos portugueses para ultrapassar as dificuldades.