Foram dias de arruadas, mas também de sossego; sossego dos protestos dos lesados do Banco Espírito Santo, que uma semana depois voltaram em força à campanha da coligação Portugal à Frente.

Aproveitaram o sábado para rumar ao Marco de Canavezes, trocando as voltas aos líderes da coligação, que acabaram por fazer um pequeno discurso em cima de um banco, e cancelaram a arruada.

Afinal, havia muito barulho, e sobretudo, o perigo de confrontos entre os manifestantes e os apoiantes do PàF, coisa já vista em Braga há 15 dias. Desta vez eram mais de 60 lesados do Grupo Espírito Santo. E foi para eles que o primeiro-ministro falou, sem recear as palavras:

 

"Tenho pena que haja, ao fim de 41 anos de democracia, ainda quem não tenha aprendido a lição democrática, e utilize a campanha" para protestar. 
 

Mas disse mais: disse que estes protestos que atrapalham a campanha, não resultam. 


E pior, "quem está a ver em casa, e sabe que não somos responsáveis [pela situação dos clientes do BES], mais nos apoia".

 

A verdade é que há uma semana, no Cadaval, um dos lesados que reuniu com o primeiro-ministro, a pedido dos protestantes que esperavam Passos no auditório dos bombeiros, onde tinha um encontro com agricultores, disse à TVI24 que o chefe de Governo lhe teria pedido que "deixasse de acompanhar a campanha". Porque "não valia a pena".

 

Lesados do BES reúnem com PM no Cadaval: "disse que não adiantava andarmos a seguir a campanha" #eleicoestvi24 pic.twitter.com/VBlVyh1lg1

— Judite França (@juditefranca)  September 20, 2015


Atitude dos lesados é anti-democrática porque tentam impedir a campanha eleitoral 

Este grupo de manifestantes não foi recebido por Passos Coelho, apesar de terem pedido; a agenda do primeiro-ministro não tem folgas para reuniões extra, e o mais certo seria que com reunião tudo ficasse na mesma.

Agora, a caravana do PAF continua para Paços de Ferreira, e já sabe o que os espera: nova manifestação dos lesados do BES que, se no Marco, obrigaram Passos Coelho a seguir viagem, rodeado de forte segurança, agora a coligação parece preparada para o que aí vem.