Passos Coelho está de visita à Guiné-Bissau, mas com os olhos postos nos desenvolvimentos da crise grega. O primeiro-ministro defende que, mesmo depois da vitória expressiva do 'não' às propostas dos credores para a Grécia, "a integridade do euro" não está em causa. E relativizou mesmo o momento por que a Europa está a passar. 

"Creio que na União Europeia, nos últimos cinco anos, já passámos por situações bem mais complexas [e hoje existe] uma capacidade de responder e gerir situações de crise que não existia [na altura]. A integridade do euro não está em causa e não creio que o resultado deste referendo ponha em causa, nem a zona euro, nem a integridade do euro"


Não pode haver retrocessos, vincou ainda: "Não acredito que depois de tudo o que passámos que se possa pôr em questão a integridade do euro".

Os resultados do referendo - 61,31% dos gregos votaram 'oxi' - "mostra claramente que o povo grego não está interessado nos moldes que foram apresentados para as negociações que se desenrolaram entre as instituições da ‘troika' e o Governo grego. E devemos respeitar essa vontade". 

"Agora cabe ao governo grego saber como quer conduzir a situação do seu próprio país. Nós não podemos ingerir nos outros Estados. Nem Portugal, nem nenhum outro país da UE tem o direito de estar a impor soluções à Grécia", sublinhou, segundo a Lusa. 

Pedro Passos Coelho considera que, nesta altura, "cabe à Grécia escolher se quer ou não permanecer no euro e se quer ou não quer ter apoio externo nas condições que as regras do euro exigem".

"Julgamos que agora eles é que têm a palavra. Não entendo que seja útil estar a adiantar seja o que for, porque cabe ao governo grego saber com quer resolver os problemas da Grécia e ir ao encontro das expectativas dos gregos", concluiu.

Já o vice-primeiro-ministro Paulo Portas reagiu ao referendo vincando as diferenças entre Portugal e a Grécia e atacando o líder do PSAntónio Costa disse hoje que o Governo português tem agora a "sua última oportunidade" para mudar de postura e virar a página da austeridade.