O PS acusou esta sexta-feira o primeiro-ministro de querer «encomendar as conclusões» da comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) com declarações na quinta-feira em entrevista à RTP.

«O primeiro-ministro quis encomendar as conclusões da comissão de inquérito. É inadmissível», vincou o deputado do PS coordenador na comissão parlamentar de inquérito, Pedro Nuno Santos, em declarações à agência Lusa.

O parlamentar falava no dia seguinte ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter voltado a defender a solução encontrada pelo Banco de Portugal para o BES, através de uma resolução, e frisou que esta foi apoiada pelo Governo, através de «muitas trocas de impressão», dizendo que «o que aconteceu no BES não é resultado de má supervisão, é resultado de má gestão do banco».

«Espero que nenhuma comissão de inquérito inverta este problema», apelou o primeiro-ministro.

Já na noite de quinta-feira o deputado socialista Vieira da Silva havia criticado Pedro Passos Coelho pelas declarações envolvendo a comissão parlamentar.

«O trabalho da comissão de inquérito é não deixar nada de fora: gestão, supervisão e governação», realçou hoje Pedro Nuno Santos.

O socialista criticou também o que diz ser a «grande contradição» vivida pelo PSD esta semana no que aos trabalhos da comissão diz respeito, e, mais em concreto, no papel do governador do Banco de Portugal em todo o processo.

Na quinta-feira, Carlos Abreu Amorim, coordenador do PSD na comissão, havia referido à Lusa que Carlos Costa tinha esclarecido «totalmente qualquer equívoco que tenha surgido» entre as declarações do governador no parlamento e o parecer de um jurista de Coimbra sobre uma eventual retirada da idoneidade de Ricardo Salgado.

«Ontem deu-se um volte face [no PSD] e foi dito que tudo estava esclarecido», estranha Pedro Nuno Santos, dizendo que os sociais-democratas, como os restantes partidos, haviam pedido mais explicações sobre a matéria no dia anterior, quando o referido jurista de Coimbra, Pedro Maia, partilhou uma carta onde havia aparentes contradições com declarações de Carlos Costa.

A comissão de inquérito, que arrancou na semana passada, tem um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado 'bad bank' (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.