O primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, assumiu hoje, em Bragança, que foi o próprio Governo que não conseguiu concluir a revisão dos estatutos da GNR, rejeitando alegadas pressões no processo.
 

“Foi o próprio Governo que não conseguiu concluir esse trabalho, não há pressões, nem meias pressões. É um assunto complexo e o Governo não conseguiu concluir esse processo, o que eu lamento”, declarou.


Passos Coelho afirmou que o processo terá de aguardar uma nova legislatura e justificou que “ a GNR ao contrário da PSP é uma força de natureza militar e os seus estatutos não podem deixar de estar harmonizados com os estatutos dos militares das Forças Armadas”.
 

O primeiro-Ministro acrescentou que “o trabalho que foi feito não é para deitar fora” e “se a seguir às eleições tiver de voltar a pegar nessa questão há muito trabalho que está feito e que não será deitado para o caixote do lixo”.


Questionado sobre o anúncio dos profissionais da Guarda de manifestações durante a campanha eleitoral para as legislativas, o primeiro-Ministro respondeu: “eu já enfrentei durante este mandato muitas manifestações da democracia portuguesa e, portanto, não é agora que perderei o mesmo espírito democrático que sempre tive”.

Pedro Passos Coelho não quis comentar as declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, que admitiu entendimentos de incidência parlamentar depois das legislativas.

Considerou, no entanto que o presidente “tem feito sempre uma intervenção que é relevante do ponto de vista nacional” e afirmou que respeita “aquilo que são as suas preocupações e a forma como procurar dirigir-se aos portugueses”.

Passos Coelho respondeu ainda às críticas do secretário-geral do PS, António Costa que considerou o programa da coligação PSD/CDS-PP “ um ato de fé”.
 

O primeiro-ministro defendeu que alcançar as metas apresentadas “e mesmo superá-las exige acreditar evidentemente, mas tal como até aqui exige também um trabalho árduo”.


O chefe do executivo falava em Bragança, à margem da inauguração do Brigantia EcoPark, um parque empresarial de ciência e tecnologia que abre sem empresas instaladas.

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, anunciou que já foram aprovadas quatro empresas e outras tantas estão a ser analisadas para se instalar no equipamento que custou 9,5 milhões de euros.
 

O primeiro-Ministro espera que sirva para criação de emprego, “mas de valor acrescentado em relação ao que existe”.


Passo Coelho indicou ainda que a ligação aérea entre Bragança/Vila Real/Viseu/Cascais/Portimão anunciada para junho poderá ser retomada em “finais de setembro ou outubro”, sem precisar datas, frisando que espera que possa estar a funcionar “ainda este ano”..

O primeiro-Ministro respondeu também a outra reivindicação da região, garantindo que os governos de Portugal e Espanha estão em “grande sintonia” para construírem uma nova ligação na fronteira, entre Bragança e Puebla de Sanábria.

Ressalvou, porém, que “ainda não está finalizada a forma como vai ser construída”.