O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, reclamou, este sábado, do Governo esclarecimentos sobre a reversão da privatização da TAP para que não fique a ideia de que se trata apenas de “uma questão de birra”.

“Acho que é importante que o Governo explique bem, com transparência [o negócio da TAP], para que não fique a ideia que o Governo, por uma questão de birra, queria ficar com mais de 50% da TAP. Afinal não são mais de 50%, mas os privados é que mandam”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro falava à margem de uma sessão com militantes, em Bragança, para apresentação da sua recandidatura a presidente do PSD e lembrou que o partido “já hoje deu indicação de que é preciso que o Governo, nomeadamente o ministro que tem a tutela desta matéria possa rapidamente ir ao parlamento esclarecer os detalhes desta operação”.

“Não percebemos bem qual é a intenção do Governo em ficar com 50%. É preciso ver se o interesse público está devidamente acautelado, mas tudo isso terá de se ver em sede de audição do próprio ministro, no parlamento”, observou.

Passos Coelho lembrou que o Governo do PSD/CDS-PP, que liderou, defendeu a importância do processo de privatização da TAP “porque o Estado não tinha forma de manter a empresa, não tinha dinheiro para o poder fazer, para defender o emprego e o serviço público que a TAP representa para a economia” portuguesa.

“Nós tínhamos o interesse público defendido em regras que constavam do contrato de venda, é preciso saber como é que essas regras agora ficaram, o que é que foi alterado em detalhe e como é que o interesse público estará defendido”.

 

Governo dá "a uns aquilo que está a tirar a todos os outros"

 

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou, também, o Governo socialista de promover um grande aumento de impostos para “dar com uma mão a uns aquilo que está a tirar a todos os outros”.

O líder social-democrata afirmou que “os portugueses não estavam à espera da estratégia apresentada pelo Governo de António Costa para o Orçamento do Estado de 2016, que entende não ser correta.

Para o ex-primeiro-ministro, as escolhas socialistas mostram “em primeiro lugar um risco de incumprimento que é muito elevado”, lembrando que várias entidades nacionais e internacionais já chamaram a atenção para esses riscos.

“Do meu ponto de vista, aquilo que o orçamento traz, e que não é bom, é um grande aumento dos impostos que vão prejudicar sobretudo as empresas, a classe média. A retoma da economia faz-se em nome de não ter um défice maior para poder andar mais depressa na restituição de salários na Administração Pública e para poder fazer várias concessões de reversão de políticas que tinham sido feitas no passado e que tinham uma incidência estrutural sobre a economia”, sustentou.

Para o ex-primeiro-ministro, se hoje o PS “está a arriscar mais, devolvendo mais rapidamente certos rendimentos, é porque vai buscar com a outra mão aos impostos e porque cria riscos”, o que não é maneira de criar confiança e segurança quanto à estratégia de médio prazo”.

Passos Coelho reivindicou ainda que muito do que o PS está a fazer se deve ao trabalho feito pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

O líder do PSD vincou que, “se fosse primeiro-ministro, não ia deixar de procurar acelerar a remoção de medidas de austeridades para que o país possa viver crescentemente em normalidade, mas não ia fazer um programa demasiado arriscado que pudesse trazer a intranquilidade de tropeçar amanhã e voltar atrás no ano seguinte”.

Ainda assim, o presidente do PSD considerou que o Orçamento do Estado para 2016 “é o fim da ilusão socialista porque não é definitivamente aquilo que se tinha comprometido fazer”.