O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considera que o Governo "atirou a confiança pela janela fora", pelo que "não espanta" que "a credibilidade" tenha "desaparecido da conversa externa sobre Portugal" e o país seja ameaçado com sanções europeias.

"A desconfiança que se instalou, dentro e fora do país, envolvendo cidadãos, investidores, instituições e parceiros resulta da nova abordagem e da nova orientação política seguidas pelos socialistas e seus aliados", escreve o anterior primeiro-ministro, num artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias a poucos dias do "primeiro debate do estado da Nação com a nova maioria".

"Movido pelo lema de virar a página da austeridade, o novo Governo o que virou foi a página da credibilidade e atirou a confiança pela janela fora", acrescenta.

Passos Coelho considera haver um "contraste impressionante", "para pior", entre a situação atual e aquela que existia há um ano, que deixava "antever um resultado para o défice" abaixo dos 3% e quando "Portugal era encarado como um país determinado em sair da crise e em cumprir os seus compromissos".

Dada a situação atual da economia e das finanças, para o presidente do PSD "não espanta" que "a credibilidade e a confiança tenham desaparecido da conversa externa sobre Portugal e que as recriminações em torno de eventuais sanções ocupem hoje o essencial das referências no relacionamento" entre Lisboa e Bruxelas.

Passos Coelho acusa ainda o Executivo de António Costa de "tentativa desesperada para rescrever a história" e querer "justificar sanções e instabilidade financeira com os resultados que lhe foram legados pelo Governo anterior".

Sobre as sanções, o líder do PSD diz que o Governo "não conseguiu convencer a Comissão Europeia nem o Eurogrupo da bondade e da viabilidade das suas intenções" e, por isso, "desde cedo apareceu a conversa sobre as medidas adicionais".

"Triste situação esta em que Portugal pode ficar associado a uma primeira decisão de aplicação de sanções a qualquer país depois de ter sido, durante quatro anos, um caso entre os melhores em matéria de redução do défice", escreve.

Sobre os bancos, diz que "o Governo só tem piorado as perspetivas", considerando que "depois de ter tratado da pior maneira a situação do Banif, que acabou por custar demasiado aos bolsos dos contribuintes, o Governo alimenta ou deixa alimentar as maiores especulações sobre a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco".

"Como, entretanto, a desconfiança regressou ao mercado, torna-se cada vez mais difícil gerir a situação financeira, com os bancos tendencialmente a perderem dinheiro com a dívida pública portuguesa e o Estado sem credibilidade para atrair investidores externos", afirma.

Passos Coelho diz ainda que o Governo não pode desculpar-se com com "algumas contingências" externas.

"Este resultado não tem nada de inesperado. É apenas a consequência natural da falta de prudência e da visão fanfarrona daqueles que nos governam", considera.