O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou hoje o ministro das Finanças de não ter explicado como será feita a reestruturação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), tendo deixado as más notícias para o próximo presidente do banco.

"Ontem [quarta-feira], o ministro das Finanças, que tem sido parco em explicações e anúncios sobre esta matéria lá veio tentar explicar em que é que consiste o acordo de princípio que foi atingido com a Comissão Europeia. Eu estive uns anos no Governo, tenho uma noção razoável da situação da Caixa Geral de Depósitos e confesso não entendi nada do que o ministro das Finanças disse, porque ele não disse nada. Foi a segunda vez que falou sobre a CGD e não disse nada", frisou.

Pedro Passos Coelho, que falava na sessão de abertura da Universidade de Verão do PSD/Açores, em Angra do Heroísmo, disse que Mário Centeno não explicou como será reestruturada a Caixa Geral de Depósitos com o pressuposto de que o dinheiro que o Governo vai injetar "não vai a défice" e portanto é feito em condições de mercado.

“Sobre isto o ministro das Finanças não disse nada. Encomendou o discurso das más notícias para quem vier depois. O presidente da Caixa que dê as más notícias. Ele deu uma notícia boa: chegaram em princípio a um acordo com a Comissão Europeia”, salientou.

O líder do PSD acusou Mário Centeno de evitar dizer “qualquer coisa que faça perder votos ou que seja desagradável”.

“Cumpriu as orientações habilidosas que a liderança do Governo indica. Nunca caiam na asneira de aparecer à frente de uma televisão com o cenho franzido ou a dar más notícias. Cara alegre, confiante, tudo se resolve. Amanhã se vê. Há um problema? Vamos resolver. E se não se resolver? Nós somos otimistas”, ironizou.

Segundo o líder social-democrata, quanto mais dinheiro o Estado injetar na Caixa Geral de Depósitos maior terá de ser a reestruturação do banco, o que implicará mais despedimentos, fecho de balcões e redução da atividade, mas o PCP e o BE, que suportam o Governo do PS, “acham que é o contrário do que se devia fazer”.

Passos Coelho disse estar ainda cansado de ouvir “verdades à La Palice”, como a afirmação de que Portugal estaria a crescer muito mais se os bancos estivessem devidamente capitalizados.

Segundo o ex-primeiro-ministro, o envelope financeiro de 12 mil milhões de euros destinado à estabilidade do setor financeiro foi gasto “de acordo com a capacidade que os bancos tinham de poder pagar esse dinheiro e mesmo assim houve um que não teve capacidade para devolver esse dinheiro”.

“Não vale de nada estarmos a pensar se precisávamos de mais para meter lá, quando não tínhamos mais para meter lá”, frisou, alegando que ninguém emprestaria mais dinheiro, a dívida pública seria maior e os bancos privados não teriam capacidade de pagar os empréstimos.

“Não podemos fazer de contas que a realidade não é o que é. Quem governa a pensar em casos teóricos ou utópicos faz discursos bonitos, mas ao fim de uns anos não tem outra coisa para devolver senão menos bem-estar, mais responsabilidades para futuro e situações piores para resolver”, acrescentou.