O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou esta sexta-feira que a alternativa que o atual governo reivindica é falsa, invocando que “ainda há muita austeridade disfarçada”, mesmo sem “a pressão da 'Troika' e dos mercados”.

Num artigo publicado na ‘newsletter’ do PSD, intitulado “A Falsa Alternativa”, Passos Coelho retoma os argumentos utilizados nos últimos debates no parlamento, mas recorda que a austeridade se mantém e sublinha que, se o PSD continuasse no executivo, o crescimento seria mais elevado.

“Se a estratégia defendida pelo Governo anterior tivesse prosseguido, a recuperação económica e do emprego seria sensivelmente mais forte, porque mais forte seria também a recuperação do investimento”, argumenta.

O líder social-democrata alega que “a austeridade pode hoje ter uma feição diferente”, mas “ainda há muita austeridade disfarçada”, porque o país já não tem “a pressão da 'Troika' e dos mercados” de há uns anos.

“Mas não é ao Partido Socialista, nem ao Bloco de Esquerda ou ao Partido Comunista Português que devemos agradecer a liberdade de escolha que hoje temos. Os partidos da atual maioria, quando foi difícil trabalhar para livrar Portugal do resgate, defendiam políticas que nos teriam colocado na situação de incumprimento, como aconteceu com a Grécia”

Passos lembra que “na Grécia, infelizmente, continua a não haver alternativa à austeridade e parece que a União Europeia mudou pouco a sua exigência de cumprimento do programa – o terceiro já – de assistência, permanecendo o Syriza no governo muito contrariado, a pedir flexibilidade às instituições europeias e ao FMI, mas a executar políticas de aperto orçamental que incluem cortes importantes de rendimentos”.

O presidente do PSD contesta também os números do executivo de António Costa relativamente ao emprego, indicando que “a população empregada cresceu cerca de 176 mil entre 2014 e 2016, mas destes quase 120 mil referem-se a 2014 e 2015”.

“O mesmo com o desemprego: a população desempregada reduziu-se em cerca de 282 mil no mesmo período, mas só entre 2014 e 2015 reduziu-se quase em 209 mil”, salienta.

Para Passos Coelho, “os socialistas trouxeram, assim, um ano em que, em vez de acelerar a recuperação económica, atrasaram-na”.

“E, em vez de colherem bons frutos pela estratégia que seguiram, beneficiam sobretudo da herança económica que receberam do Governo anterior”, conclui.

Governo segue modelo "socialista, estatizante e comunista"

Já esta sexta-feira à noite, em Vagos, o líder do PSD acusou o Governo de António Costa de não ter uma agenda reformista para Portugal e de estar amarrado a um modelo económico "socialista e estatizante", que bloqueia o desenvolvimento do país.

O país está adiado porque o Governo só pensa a curto prazo. Ninguém se esforça para pensar no futuro e na agenda de reformas que traga mais ambição para a nossa economia", disse Pedro Passos Coelho, num jantar em Vagos, no distrito de Aveiro, de apresentação da recandidatura de Silvério Regalado ao município local.

De acordo com o presidente social-democrata, Portugal não está a fazer o que era preciso para crescer mais e melhor e, nalgumas situações, está a "andar para trás", acusando o executivo socialista de transmitir uma mensagem à sociedade de que "deve evitar serviços que não sejam públicos".

O líder do PSD deu como exemplos a educação e a saúde, acusando os partidos que suportam o Governo de ter uma visão "socializante, estatizante e comunista, que os portugueses rejeitaram há muito tempo".

Sobre as finanças públicas do país, o líder do PSD disse que as contas já "estavam a correr bem" antes do atual Governo chegar ao poder, afirmando que foi criado mais emprego em 2014 e 2015 do que em 2016 e que Portugal acabou "por crescer menos o ano passado do que o balanço que vinha de trás".

"Porque é que o Governo não reconhece que até tinha a obrigação de acelerar a recuperação económica em vez de a abrandar", questionou o antigo primeiro-ministro, que governou entre 2011 e 2015.

Para Pedro Passos Coelho, a resposta é óbvia: "nunca se pode construir o futuro apenas a gerir a herança que se recebeu do passado".

"A herança que este Governo recebeu, e que foi deixada pelos portugueses nos anos em que estivemos no Governo, foi uma boa herança e bem melhor do que aquela que o país recebeu em 2011", sublinhou.