O líder do PSD acusou o Governo de "taticismo e manipulação intelectual", falando em "deterioração das condições democráticas" e considerando que o caminho seguido está a levar o país para o "declínio social, económico e político".

"O taticismo e a manipulação intelectual que o Governo tem vindo a fazer estão a ir longe demais e estão a deixar sequelas, estes seis meses foram um tempo de deterioração das condições democráticas da nossa vida política", afirmou o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, a propósito dos seis meses de mandato do Governo, que se assinalam na quinta-feira.

Considerando que "ambiente qualitativo da democracia política tem vindo a degradar-se", Passos Coelho traçou um cenário ‘negro' e disse que, ao ter escolhido este caminho, o executivo socialista liderado por António Costa "optou conscientemente por uma linha de retrocesso democrático que está a conduzir Portugal para o declínio social e económico e também para o declínio político".

O líder do PSD considerou que o objetivo de crescimento para 2016 estimado pelo Governo está "objetivamente comprometido", sublinhando que a realidade mostra que a atividade económica está muito longe do que foi anunciado.

"Sou conhecido por ser talvez um irritante realista, gosto muito de olhar para a realidade e para ver o que ela nos mostra", afirmou o presidente social-democrata.

Sublinhando que a realidade mostra que a atividade económica está muito longe de estar em linha com aquilo que foi anunciado, Passos Coelho concluiu que "parece estar objetivamente comprometido o objetivo de crescimento" estimado pelo Governo para este ano.

Passos não avança com prazo de validade para o Governo

Passos recusou, no entanto, fazer previsões sobre o atual ciclo político, sublinhando que este durará o tempo que os partidos que suportam o Governo decidirem e que as condições do país permitirem.

"O ciclo político durará o tempo que as condições do país permitirem e que os partidos que o suportam o Governo decidirem. Não é ao PSD que será imputada responsabilidade por existir uma crise política", afirmou o presidente social-democrata.

Escusando-se a comentar as declarações de terça-feira do Presidente da República, quando Marcelo Rebelo de Sousa disse que não dará um passo para provocar instabilidade no ciclo político que vai até às autárquicas, Passos Coelho considerou, contudo, que não existem razões para a maioria insinuar que o ciclo político tenha uma duração diferente em função do papel da oposição ou do chefe de Estado e recusou que o Presidente da República "funcione para dar voz aos partidos".

"Os partidos não têm de se dirigir ao senhor Presidente da República cada vez que entendem que é preciso denunciar alguma coisa, porque os partidos têm voz e o PSD tem voz, o PSD não irá falar pela voz do senhor Presidente da República, na mesma forma que não esperamos que o senhor Presidente da República funcione para dar voz aos partidos", disse. 

Insistindo que as legislaturas têm quatro anos e o cumprimento desse calendário depende das forças políticas que compõem a maioria que sustenta o executivo socialista na Assembleia da República - PS, BE, PCP e PEV - o líder do PSD reiterou que os sociais-democratas não regressarão ao Governo "senão depois de eleições".

Aos partidos, continuou, compete mostrarem "não apenas respeito, mas acompanharem aquilo que são as intervenções do Presidente da República e não apenas registá-las, mas tê-las em boa conta".

"O Presidente da República está numa posição que não é partidária", reforçou.

Passos Coelho ressalvou ainda que apesar da política do atual Governo socialista não ter o apoio do PSD, isso não significa que o partido deseje qualquer crise ou instabilidade política.