O Bloco de Esquerda confrontou o primeiro-ministro, esta sexta-feira, com as consequências do erro no concurso de professores, com o primeiro-ministro a sublinhar que a situação afetou «menos de dois por cento» dos docentes.

«Nuno Crato chegou ao ministério da Educação como "professor pardal" para fazer experiências com a vida das pessoas», acusou a coordenadora do BE Catarina Martins, no debate quinzenal no parlamento.

A deputada frisou que devido a um erro na colocação de professores há «dois mil professores por colocar e milhares de alunos sem aulas», criticando «a falta de rigor e facilitismo» do ministro da tutela.

Reconhecendo «um erro concursal», o primeiro-ministro respondeu que o Governo está a fazer tudo para que os professores e alunos sejam «o menos prejudicados possível» e frisou que estão por colocar 150 em 110 mil docentes, o que representa «menos de dois por cento».

A falta de formação para adultos, escolas a funcionar em contentores e um «nivelamento por baixo» no setor da Educação foram outros exemplos dados pela deputada do BE, que frisou que «não houve um único processo de colocação de professores que tivesse corrido bem» desde que o Governo PSD/CDS-PP tomou posse.

«É preciso recuar ao governo de Santana Lopes para ver um ano letivo a começar tão mal», disse.

A deputada questionou o primeiro-ministro sobre quanto é que está a custar ao país os problemas informáticos do programa Citius, e quando é que os tribunais estarão a funcionar.

«Há várias semanas que o primeiro-ministro e a ministra da Justiça não respondem às perguntas. Dois milhões de processos parados, trabalhadores à espera de indemnizações, crianças à espera da pensão de alimentos, negócios que não se fazem», frisou.