O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, insistiu este domingo num entendimento político alargado sobre o pós-troika, alegando que essa seria a melhor prenda para os portugueses nos 40 anos da democracia.

«Essa era a melhor oferta que os partidos podiam fazer neste 25 de Abril», declarou Pedro Passos Coelho, no encerramento do XXXV Congresso Nacional do PSD.

Na sua intervenção, o chefe do executivo PSD/CDS-PP considerou que muitas matérias da reforma do Estado têm de avançar ainda nesta legislatura, que é preciso assegurar a capacidade de estabelecer compromissos na próxima legislatura e assinalou a necessidade de continuar a baixar o défice, acusando o PS de se escusar a apresentar as suas medidas para esse efeito.

«No Estado ainda não levámos a reforma aonde ela deveria ter ido», disse Passos Coelho, admitindo que pensou aplicá-la «em duas legislaturas», mas que «há muitas matérias» que «têm de ser aprofundadas ainda nesta legislatura».

«Por isso, convido novamente todos os partidos com assento parlamentar a tomarem lugar na sua própria Comissão Eventual para a Reforma do Estado e aí podermos discutir, entre nós, maduramente, como é que vamos reformar o nosso Estado», acrescentou.

O primeiro-ministro advertiu que o período após a conclusão do atual programa de resgate não será «menos exigente», que será preciso «fazer muito mais» do que já foi feito e assinalou que não haverá a «muleta» do contrato com a troika a condicionar a adoção de medidas.

«Ainda temos de baixar o défice. Convidamos todos os partidos a poderem exprimir a sua proposta para esse resultado que precisamos de atingir», disse.

Pedindo «coragem» aos dirigentes políticos, Passos Coelho questionou: «Algum líder político pensa que fica com mais popularidade, possibilidade de ganhar as eleições ou de ser Governo, de ser respeitado por dizer eu quero menos défice mas não quero pagar a fatura de dizer o que isso representa? Alguém no país levará isto a sério?».

Segundo o chefe do executivo PSD/CDS-PP, «há um grande consenso na sociedade portuguesa» sobre o futuro do país, ninguém quer regressar ao escudo, nem uma economia «baseada em salários baixos», ou uma Segurança Social insustentável.

«Temos todos de nos esforçar para ter entendimentos alargados. Não temos de ter todos as mesmas opiniões», argumentou.

«É com aqueles que conseguem mudar as coisas que o país muda, e é com esses que nós temos de apelar para uma convergência mais ampla no nosso pós-troika. Estou convencido de que a exigência política, para quem está no Governo, mas também para quem está na oposição será muito maior a partir de maio deste ano", prosseguiu.

O presidente do PSD advogou que esse propósito, tentado pelo Presidente da República no ano passado, falhou «talvez porque ainda havia muitas medidas difíceis para tomar», mas agora pode ter sucesso, se não se radicalizarem posições.

«Não precisamos de esperar pelas eleições de 2015, ainda vêm longe, falta quase um ano e meio para essas eleições, não vale a pena estarmos tão fixados nelas. Mas muito antes de elas chegarem, nós temos de ter a capacidade de pensar não apenas para além deste mês de maio, mas para além dessas eleições. Daremos mais escolhas aos portugueses se tivermos essa capacidade de o fazer com antecedência, antes que seja tarde, antes que todos estejam agarrados às suas propostas e não queiram abdicar delas. Essa era a melhor oferta que os partidos podiam fazer neste 25 de Abril», concluiu.