O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considera que o programa eleitoral da coligação PSD/CDS não vai surpreender os portugueses, porque os dois partidos têm uma “estratégia que o país conhece”.

O líder social-democrata diz que o Governo sabe o rumo que irá seguir e que quem elaborar o programa eleitoral mais específico, a apresentar aos portugueses para as legislativas, terá o trabalho facilitado, já que o governo não esteve só de “fascina”, a melhorar o país deixado pelo anterior Governo.

Passos Coelho discursava na apresentação conjunta dos dois partidos das “linhas de orientação para a elaboração de um programa eleitoral”, que decorreu esta quarta-feira, em Lisboa.

O presidente do PSD diz que os eleitores estão “cansados de invenções” e "desconfiam profundamente de quem quer sempre mudar tudo".

“Não precisam de inventar. Os eleitores estão cansados de invenções e desconfiam profundamente de quem quer sempre mudar tudo acreditando quase na providência para que tudo, mesmo o desconhecido, acabe por resultar em bem. Nós temos uma estratégia que o país conhece, mas nem todo o país a pôde observar enquanto se falava do défice e da dívida”.


Passos Coelho lança críticas aos partidos da oposição que têm de recorrer a “invenções” para surpreender os portugueses, contrariamente ao Governo que já sabe o que tem de ser feito. O presidente do PSD diz mesmo que o maior elogio que recebeu nestes quatro anos partiu do líder do maior partido da oposição (PS) que o chamou “previsível”.

“Queremos que os próximos quatro anos sejam anos de segurança, de estabilidade e de previsibilidade. O maior elogio que me foi dirigido [em forma] de ataque político ocorreu no último debate quinzenal no parlamento, quando o líder parlamentar do maior partido da oposição se mostrou desencantado por afinal ser tão previsível o que eu lá ia dizer”.

Para demonstrar o rumo que a coligação pretende seguir, Passos Coelho parafraseou as nove garantias deixadas explícitas numa carta apresentada por Paulo Portas e onde a coligação diz que irá trabalhar para um crescimento de 2 a 3% em quatro anos, reduzir o IRC e eliminar a sobretaxa do IRS, entre outras medidas.
 

“Um programa eleitoral não é um leilão de promessas” 


Já o presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse que o programa eleitoral da coligação não vai assentar em “promessas” para conquistar votos, mas em “garantias” que permitirão o crescimento de Portugal.

O presidente do CDS deixou transparecer uma crítica às propostas já avançadas pelo Partido Socialista afirmando que “um programa eleitoral não é um leilão de promessas” e que os partidos devem ser prudentes naquilo que prometem aos portugueses, para que o país não volte à situação de 2011.

Portas disse que o país já teve três resgates externos na sua história pós-25 de abril, resultantes de “políticas socialistas” o que não pode voltar a acontecer.

"Os programas que são feitos com base num leilão de promessas, como se se tratasse de vender bacalhau a pataco, dizem a cada um o que cada um se calhar quer ouvir, mas não cumprem com o interesse nacional porque não explicam como tudo se financia e através de quem se paga a fatura".



As 9 garantias da coligação:


Carta de Garantias da Coligação PSD/CDS-PP