O primeiro-ministro e presidente dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho, afirmou este domingo, perante o vice-primeiro-ministro e presidente dos centristas, Paulo Portas, que a coligação PSD/CDS-PP deverá ser a primeira em Portugal a chegar ao termo do mandato.

No encerramento do XXXV Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, Passos Coelho referiu que os «momentos difíceis» da coligação se deveram a diferenças de fundo e não «questões menores». Depois, dirigindo-se a Paulo Portas, sustentou que os dois têm dado o exemplo de «pôr de lado as diferenças para defender o interesse do país».

«E, como ele disse no seu último Congresso, deveremos ser a primeira coligação que chegará ao termo do seu mandato. Eu formulo a mesma confiança que ele nesse resultado», acrescentou o presidente do PSD.

Há mês e meio, no Congresso do CDS-PP, Paulo Portas falou desta forma sobre a possibilidade de a atual maioria chegar até ao fim da legislatura: «Dizem que nenhuma coligação terminou o seu mandato em 40 anos de democracia. Algo me diz que seremos os primeiros a fazê-lo, e a partir daí não seremos os últimos a fazê-lo».

A propósito de divergências e entendimentos políticos, no discurso com que encerrou o Congresso do PSD, de cerca de 45 minutos, Passos Coelho defendeu que é preciso «aproveitar todas as oportunidades destes 40 anos de democracia para aprender a viver cada vez melhor em democracia».

«Essa aprendizagem também se faz na oposição, mas também se faz no Governo. Temos, por essa razão, de conseguir entender-nos o suficiente para que a nossa ideia do que é importante para Portugal esteja sempre em primeiro», disse.

Sob aplausos, Passos Coelho deixou em seguida um recado à oposição: «Quero dizer ao doutor Paulo Portas que se temos conseguido ambos com a sua teimosia, ambos com a sua convicção, dar mostras de grande democracia e de grande sentido de responsabilidade, temos também desde pedir aos outros que façam o mesmo».

«Porque, se presido ao Governo, o Governo não me pertence e a quem está no Governo não lhe pertence o país. Se o país é de todos e todos queremos que os nossos governos sejam bem-sucedidos, na pluralidade das nossas diferenças, todos temos de fazer o melhor de nós próprios para que tudo funcione melhor», prosseguiu.

No final da sua intervenção, Passos Coelho observou que esperava «não ter sido, como dizia Marcelo Rebelo de Sousa, demasiado irritante por demasiado tempo», e deixou palavras de incentivo ao trabalho do PSD no apoio ao Governo nos próximos dois anos.

«Será um desafio tremendo. E eu sei que o Marco António Costa, que é o coordenador da Comissão Política e, portanto, aquele que por mim mais dará o litro para que tudo funcione dentro do PSD, partilhará com todos os outros e comigo também de levarmos por diante esta nossa obstinação de nunca desistir, de sempre ir além, desafiando todas as dificuldades para que o país possa vencer esta crise», afirmou.