O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho afirmou que a liberalização das ligações aéreas aos Açores pode ser "um gatilho" para impulsionar a economia regional e que “não faz sentido” tarifas iguais para residentes nas duas regiões autónomas.

"Este novo regime pode ser realmente um gatilho muito importante para um impulso grande de atividade económica em torno da procura turística que dinamizará bastante a economia de toda a região e que pode representar também, do ponto de vista do emprego, uma esperança muito grande", afirmou Pedro Passos Coelho, em Ponta Delgada, no final de um encontro com hoteleiros da ilha de São Miguel.


O presidente do PSD revelou que "as expetativas dos empresários" de São Miguel, para onde as 'low cost' começaram a voar no final de março, "são muito positivas" e o "impacto na economia da região pode ser extremamente sensível se houver uma boa articulação entre todas as entidades".

Passos Coelho disse estar "convencido" de que "nos próximos anos" haverá um "desenvolvimento muito grande de toda a oferta turística" nos Açores e que pode até, "eventualmente", aumentar outro tipo de procura que não apenas "o turismo de natureza", que considerou "o prato forte" do arquipélago.

O presidente do PSD realçou, em respostas a questões dos jornalistas, que o novo modelo de transporte aéreo entre o continente e os Açores resultou de um trabalho conjunto entre o Governo nacional do PSD/CDS e o Governo Regional socialista.

Apesar de estar nos Açores como líder partidário, o também primeiro-ministro disse não poder "deixar de sublinhar" a colaboração muito próxima" que o executivo nacional teve com o Governo Regional.


"É assim que deve ser. Temos a obrigação de ter sempre um bom relacionamento, uma boa cooperação entre os governos, quaisquer que sejam as suas extrações partidárias, como não pode deixar de ser. E quando procedemos nestes termos ganhamos todos", realçou.


Tarifas iguais "não faz sentido"

Questionado sobre as tarifas máximas nos voos ao continente para residentes nas ilhas, Passos Coelho respondeu que "não faz sentido" a pretensão manifestada nos Açores de os preços serem iguais para as duas regiões autónomas, como reporta a Lusa.

Passos Coelho reiterou que o cálculo das tarifas é feito em função da distância entre os arquipélagos e o território continental e que, nesse contexto, apesar de as tarifas para os residentes nos Açores serem mais altas, há "uma taxa de esforço" de serviço público "que é equivalente".

"Há absoluta proporcionalidade. A taxa de esforço, em termos de serviço público, de Obrigações de Serviço Público, no caso dos Açores e no caso da Madeira, é exatamente a mesma", sublinhou, acrescentando que se os valores das tarifas fossem iguais, se criaria uma "discriminação" e, "dando o mesmo, na prática", que aconteceria era “dar mais a uns do que a outros e isso não poderia acontecer".