O secretário-geral do PS defendeu esta quinta-feira junto do primeiro-ministro um compromisso para que o país tenha um projeto comum, mas acrescentou que a construção desse projeto deve fazer-se após o julgamento dos portugueses em eleições.

António Costa falava aos jornalistas no final da sua primeira reunião enquanto líder socialista com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento, encontro que caraterizou como «cordial» e que durou cerca de uma hora e 45 minutos.

No final do encontro, o secretário-geral do PS voltou a defender a necessidade de compromissos políticos para que o país «tenha um projeto estratégico comum», mas situou a procura desse objetivo após as próximas eleições legislativas, salientando: «Os portugueses saberão julgar qual o melhor caminho e é sobre julgamento dos portugueses que se tem de construir uma estratégia comum».

«Como diz o povo há vários caminhos para chegar a Roma e é natural que as diferentes forças políticas proponham diferentes caminhos para alcançar cada um dos objetivos, mas era desejável que o país pudesse ter objetivos comuns - e essa é uma diferença que neste momento existe e que é um fosso entre a alternativa proposta pelo PS e aquilo que tem sido a política deste Governo», declarou António Costa.


Ladeado pelo líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, e pela dirigente socialista Maria da Luz Rosinha, António Costa procurou neste contexto apontar as diferenças de fundo básicas entre socialistas e a maioria governamental PSD/CDS.

António Costa considerou então que o Governo tem a ideia de que o futuro de desenvolvimento assenta primeiro «numa estratégia de empobrecimento, com a diminuição de direitos e desmantelamento do Estado social».

«O PS tem a convicção de que é preciso relançar o desenvolvimento com base numa estratégia de aposta na qualificação, na educação, na inovação, na investigação científica, na modernização das empresas, no reforço da coesão e na cultura», disse.


Interrogado se os socialistas rejeitam a curto prazo entendimentos com a maioria PSD/CDS, Costa alegou que os acordos «existem em torno de temas concretos».

«Os entendimentos não são em abstrato, mas em torno de temas em concreto. Há temas em que, naturalmente, há entendimento e outros em que diria que é impossível tal a divergência face ao ponto de partida"» respondeu.


Na sequência da reunião com o primeiro-ministro, o secretário-geral do PS deixou também apelos à existência de condições de diálogo no país, contra a crispação na vida política.

«Considero que é fundamental que os diferentes dirigentes políticos mantenham relações cordiais, de normalidade institucional e de diálogo. Há algo de perverso que tem acontecido nos últimos anos na vida política portuguesa que é o desenvolvimento de uma grande crispação e de uma incomunicabilidade entre os diferentes agentes políticos», lamentou.

De acordo com o líder socialista, é muito importante para o país que os políticos «se respeitem, se considerem e que tenham aquilo que é normal terem, que é afirmarem-se pelas suas diferenças e pelas alternativas que têm a propor».

No caso do PS, de acordo com António Costa, a relação com as outras forças partidárias será marcada não por critérios de ordem pessoal, mas «pelas políticas».

«As convergências ou as divergências fundam-se não em função dos nomes dos dirigentes, não em função da personalidade dos nossos interlocutores, mas em função daquilo que se propõe. São as políticas que devem marcar as diferenças, que são um dado normal em democracia», afirmou.


No entanto, o líder socialista defendeu em seguida que o país «deve voltar a ter um sentido comum, um projeto que seja partilhado coletivamente, tal como teve muitos anos».

«É preciso um grande entendimento estratégico», acrescentou.