O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considera que foi dobrado «o cabo das tormentas da disciplina orçamental» em matéria de investigação científica e disse esperar que Portugal consiga obter mais recursos europeus para esta área.

Num discurso na segunda edição dos Prémios Santa Casa Neurociências, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o primeiro-ministro assinalou o facto de o comissário europeu para a ciência ser o português Carlos Moedas, seu ex-secretário de Estado adjunto, e destacou a existência de um programa europeu com 80 mil milhões de euros destinados à investigação e inovação.

«Eu espero que o facto de o comissário europeu que tem a responsabilidade de gerir todo este programa à escala europeia ser português seja um estímulo para que em Portugal realmente nos possamos esforçar mais e chegar a um resultado mais satisfatório em matéria de projetos que possam vir a ser financiados por recursos europeus», afirmou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

Antes, Pedro Passos Coelho referiu que «a ciência foi talvez das áreas em que a disciplina orçamental impôs menos reduções», observando: «Se todos têm presente as grandes dificuldades por que passámos nestes anos, já envolve uma certa opção de natureza política ter feito com que a área da ciência tivesse sido menos afetada».

Depois, o primeiro-ministro apontou 2014 como um ano de mudança: «Ao longo deste ano podemos mesmo dizer que invertemos essa tendência que vinha desde 2009 e conseguimos executar do lado da Fundação para a Ciência e Tecnologia mais recursos financeiros do que nos anos anteriores».

«O que significa, portanto, que já dobrámos o cabo das tormentas em matéria de disciplina orçamental no que toca à área da investigação. A ideia, portanto, de que temos transferido muito menos recursos para a ciência não se conjuga com a realidade», concluiu.

Passos Coelho defendeu que cabe não só ao Estado mas também aos privados investir na investigação científica e que Portugal precisa de «muitos mais recursos» nesta área.

«Mas então temos de saber aproveitar ainda melhor aqueles a que nos podemos candidatar no espaço europeu. Desse ponto de vista, é um desafio muito grande para todas as instituições poderem desenvolver uma rede, uma 'network', ainda mais extensa com outros centros de investigação ao nível do espaço europeu», considerou.