O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, condenou o «ato de terrorismo odioso» em Paris e manifestou-se convicto de que a França e os seus valores de «liberdade e tolerância» triunfarão sobre quem os atacou.

Numa carta dirigida ao primeiro-ministro francês, Manuel Valls, Passos Coelho disse ter recebido com consternação a notícia de que o jornal satírico francês Charlie Hebdo foi hoje alvo de um ataque, em Paris, que causou 12 mortos e 20 feridos.

«Em nome do Governo português e a título pessoal, condeno nos termos mais firmes este ato de terrorismo odioso que mergulhou a França num imenso luto que partilhamos com desgosto e profunda solidariedade», refere.


Na missiva, o chefe do Governo PSD/CDS-PP apresenta as suas condolências às famílias atingidas e deseja um rápido restabelecimento aos feridos.

«Face a estes acontecimentos dramáticos, sabemos que a República francesa, apoiada nas suas instituições democráticas e nos seus valores de liberdade e tolerância, saberá fazer triunfar a justiça contra os que os atacaram», afirmou, sublinhando que a França «sabe que pode contar com todo o apoio de Portugal».


O primeiro-ministro português qualificou ainda o ataque como um atentado contra a liberdade e a democracia e afirmou esperar determinação e coesão dos governos europeus e de todas as nações democráticas.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma cerimónia na sede da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em Lisboa, Pedro Passos Coelho considerou que atos como o atentado em Paris, que causou doze mortos, têm como objetivo «lançar o terror» e abalar os alicerces dos «principais valores europeus».

«Espero que todos os governos europeus e todos os governos de nações democráticas no mundo saibam estar à altura destes desafios e reagir com muita determinação, mantendo uma coesão ainda maior nos seus propósitos de defesa das suas instituições e reforçando os seus instrumentos, as suas políticas de combate a estes fenómenos», acrescentou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.


O primeiro-ministro começou por dizer que «o Governo português já teve ocasião de manifestar o seu repúdio por este atentado, que é um atentado, no essencial, contra a liberdade, a liberdade de imprensa, mas também contra a sociedade civil e uma sociedade democrática, livre e aberta».

«Este ataque que, sabemos, é um ataque contra as instituições democráticas e contra os nossos principais valores europeus. Julgo que, por essa razão, é muito importante que todas as sociedades europeias estejam muito coesas e muito determinadas na defesa dos seus valores, mas também na forma como respondem a estes ataques, que são ataques terroristas e que, por essa razão, não têm nenhuma justificação que não seja a de lançar o terror e procurar abalar os alicerces dos nossos valores democráticos», acrescentou.


Criado em 1992 pelo escritor e jornalista François Cavanna, o semanário Charlie Hebdo ficou conhecido nos últimos anos por publicar caricaturas do profeta Maomé, cuja reprodução é considerada uma blasfémia pelo islão.

Entre as vítimas mortais do ataque de hoje estão o jornalista, cartoonista e diretor, Charb, e outros três cartoonistas: Cabu (Jean Cabut), Tignous (Bernard Verlhac) e Georges Wolinski.

São várias as capas do jornal que suscitaram a ira de muçulmanos mais fundamentalistas, entre as quais desenhos do profeta Maomé nu e numa cadeira de rodas, a ser conduzido por um rabino judaico.

O ataque, ainda não reivindicado, foi executado por dois homens armados com uma kalashnikov e um lança-rockets, na redação do jornal, e que terão gritado «vingámos o profeta», segundo testemunhas citadas por uma fonte policial.