"Creio que essa é uma fragilidade deste Governo, espero que não seja uma fragilidade para o país", vincou o social-democrata e ex-primeiro-ministro.

Pedro Passos Coelho falava aos jornalistas em Lisboa à chegada à cerimónia do 30.º aniversário da entrada em vigor do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias.

O antigo primeiro-ministro começou por definir a ligação de Portugal à União Europeia (UE) como do "maior interesse estratégico".

E prosseguiu: "Não há dúvida que o país se transformou de uma forma decisiva e não o teria conseguido fazer sem ser no contexto da integração europeia, mas evidentemente que hoje, olhando para trás, teríamos a noção de ser muito mais pequeninos, insignificantes, se não estivéssemos no coração do projeto europeu".

Alguns dos desafios que o projeto europeu enfrenta nesta fase, acrescentou Pedro Passos Coelho, são o recuperar da crise económica e financeira, o aprofundar da união monetária, e novas questões em torno de emigrações, ameaças terroristas e o próprio espaço Shengen.

"Precisamos de ter uma atitude não desconfiada, acreditar que a Europa responde aos anseios das pessoas", assinalou o líder do PSD.

Na reta final das suas palavras, Passos foi interrogado sobre o seu papel como chefe do maior partido da oposição, declarando que, à imagem do PSD, manterá um "espírito construtivo e responsável" no "construir de uma alternativa de Governo futuro dentro de Portugal".

Sobre a situação em Espanha e as negociações para um executivo, vincou ter falado pela última vez com Mariano Rajoy, presidente do Partido Popular (PP), em dezembro, expressando o "apoio que o PSD dá para as responsabilidades que os espanhóis decidiram atribuir" ao partido liderado por Rajoy.

"Temos uma relação muito próxima com Espanha e era muito importante que a Espanha não mergulhasse numa crise política profunda nem numa crise financeira", advogou o antigo governante.

A cerimónia do 30.º aniversário da entrada em vigor do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias arrancou cerca das 18:30 no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde o Tratado foi assinado a 01 de janeiro de 1986.

Na sessão intervêm o ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, o primeiro-ministro, António Costa, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e o Presidente da República, Cavaco Silva.