O PCP quer ouvir o primeiro-ministro e ministros das Finanças do Governo PSD/CDS-PP, o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, mas também o atual titular das Finanças e responsáveis da TVI no inquérito à resolução do Banif.

Segundo os requerimentos do grupo parlamentar comunista, que hoje serão entregues na comissão de inquérito da Assembleia da República, Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque estão entre as personalidades das quais os comunistas querem ouvir explicações.

Também o atual ministro das Finanças, Mário Centeno, e o seu secretário de Estado-Adjunto, do Tesouro e das Finanças, Ricardo Félix Mourinho, constam do rol de audiências solicitadas pelo PCP, incluindo os responsáveis máximos pelo Banco de Portugal e pela Comissão dos Mercados de Valores Mobiliários, Carlos Costa e Carlos Tavares, respetivamente.

Os deputados comunistas, nomeadamente Miguel Tiago e Paulo Sá, pretendem também questionar o antigo primeiro-ministro e posterior líder da Comissão Europeia, Durão Barroso, assim como a comissária europeia da concorrência Margrethe Vestager, o diretor-geral-adjunto para os auxílios de Estado da mesma instituição, Gert-Jan Koopman, e o diretor-geral para a concorrência da Comissão Europeia e ex-chefe de gabinete de Durão Barroso, Johannes Laitenberger.

A propósito das notícias veiculadas pela TVI, a bancada parlamentar comunista deseja ainda convocar para audições o diretor de informação do canal de Queluz de Baixo, Sérgio Figueiredo, e o jornalista e comentador António Costa.

Entre os 34 homens e mulheres que o PCP quer ouvir contam-se ainda diversos administradores e responsáveis do Banif, bem como auditores externos àquela instituição bancária. Os parlamentares do PCP requisitaram ainda numerosa documentação ao Banif, Governo, Banco de Portugal, Comissão Europeia, entre outros.

A comissão parlamentar de inquérito reúne-se esta quarta-feira, pelas 14:30, só com os coordenadores dos partidos na comissão, seguindo-se um encontro aberto para definir a documentação a pedir às várias entidades ligadas à venda do Banif e as audições a solicitar.

O "avaliar" do "comportamento da autoridade de supervisão financeira, o Banco de Portugal, sobre o caso Banif, é um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

O processo de venda, em dezembro de 2015, irá dominar os trabalhos para se proceder à "avaliação de riscos e alternativas" da decisão, "no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro".

A 20 de dezembro o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo ‘tóxicos' - para a nova sociedade veículo.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, sendo que 1.766 milhões de euros saem diretamente do Estado e 489 milhões do Fundo de Resolução bancário, que consolida nas contas públicas.