O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho admitiu hoje que não teria uma solução muito diferente para o Banif da encontrada pelo atual Governo, mas recusou "acusações de ‘passa culpas'" e garantiu que o PS conhecia o problema do banco.
 

"Com a experiência que tenho, calculo, até porque sei o que pensa a Direção Geral de Concorrência e sei o que tem sido a abordagem do Banco Central Europeu nestas matérias, admito que não teria uma solução muito diferente desta que foi adotada, na medida em que não foi possível identificar ao longo destes anos um comprador para o Banif", afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à margem do Conselho Nacional da Diáspora, que decorrem em Cascais.


Passos Coelho considerou, contudo, "absurdo" que se diga que o problema não foi resolvido mais cedo porque o anterior Governo queria uma "saída limpa do programa" e garantiu que "o problema do Banif era um problema que era conhecido e que era conhecido do PS e de toda a sociedade portuguesa, não houve nenhum secretismo".
 

"Ao longo dos últimos anos nós resolvemos vários problemas e tivemos muitas surpresas e nunca andámos no ‘passa culpas', os problemas existem e resolvem-se", sublinhou, recusando que teria sido necessário um segundo resgate para o Banif ser resolvido.


"Ao contrário do que aconteceu em 2011, o Estado hoje tinha lá dinheiro para resolver o problema e teria tido para resolver há um ano ou há dois anos se nós tivéssemos entendido que não havia nenhuma esperança e que devíamos desistir de encontrar um comprador e de melhorar a situação. Mas, ninguém num Governo desiste numa situação desta, não diz ‘eu acho que isto não vai dar, portanto fechem o banco'", acrescentou.

Sustentando que quando um banco tem dificuldade ou é comprado ou é resolvido, Passos Coelho argumentou que "a liquidação é sempre a pior solução e foi evitada".
 

"Enquanto eu fui primeiro-ministro procurámos lidar com a situação do Banif da melhor forma possível, isto é, procurando evitar que uma situação mais extrema pudesse pôr em causa a estabilidade financeira dos outros bancos", lembrou, vincando que nunca foi recebida uma "proposta firme que permitisse e venda do banco".


E, continuou, só em finais de setembro, meados de outubro é que o Banco de Portugal notificou o Governo "no sentido de encontrar uma solução mais rápida que permitisse ainda durante este ano encontrar uma solução que salvaguardasse a estabilidade financeira e sobretudo dos depósitos".

Passos Coelho assegurou ainda que quando ‘passou a pasta' ao atual primeiro-ministro, António Costa, o chamou a atenção "daquilo que era a circunstância do próprio banco" e "daquilo que era a exigência pela Direção Geral de Concorrência que não aceitava fora de um quadro de resolução que houvesse mais capitalização pública por parte do Estado, mais envolvimento de dinheiros públicos".
 

"E essa era também a nossa posição, tanto quanto possível devemos evitar que seja o dinheiro dos contribuintes e do Estado a resolver a situação dos bancos", acrescentou


Questionado sobre a atuação do Banco de Portugal, o ex-primeiro-ministro reconheceu que quando se chega a este ponto há sempre "responsabilidades várias que podem ser repartidas" mas disse ser seu entendimento que "o Banco de Portugal atuou corretamente, não precipitando demasiado cedo uma solução de resolução".

Insistindo que a atual situação do Banif "também tem responsabilidades presentes" e que nos últimos tempos os problemas se agravaram, com fuga de depósitos mais intensa, Passos Coelho reiterou que não irá criticar a solução encontrada pelo atual Governo, apesar dela dever ser analisada com pormenor para se perceber exatamente quais os custos envolvidos.
 

"Parece-me que o Governo atuou com diligência e procurou salvaguardar, isso parece-me muito evidente, a estabilidade financeira e os depositantes do banco", frisou, fazendo votos para que agora o tema não seja objeto de "arremesso político", nem se façam demasiadas ‘passa culpas'.


"Nós temos as nossas responsabilidades, tal como o atual Governo assumiu uma responsabilidade na sequência da decisão do Banco de Portugal", sustentou.