A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, classificou de “irresponsável” a afirmação de Pedro Passos Coelho, de que quando saiu do Governo dava lucro o banco Banif, que veio depois a ser intervencionado pelo Estado.

É uma afirmação no mínimo irresponsável, tentando esconder o que não pode ser escondido que é o prejuízo terrível ao país que foi feito pela forma como PSD/CDS lidaram com o sistema bancário, todas as facilidades que deram ao sistema financeiro e a pouca exigência que tiveram para com o erário público”, afirmou.

A líder do Bloco de Esquerda reagiu a uma entrevista de domingo ao Jornal de Notícias do antigo primeiro-ministro social-democrata, à margem de uma visita à cadeia de Bragança, em que deixou ainda uma pergunta: “Então porque é que não cobrou ao Banif o que o Banif devia ao Estado se o Banif estava a ter lucros?”.

Eu julgo que a direita tem dito qualquer coisa, está completamente de cabeça perdida”, declarou.

Catarina Martins afirmou ainda que “toda a gente sabe que o Banif tinha milhares de milhões de euros públicos injetados e PSD e CDS acharam que não precisava de nenhum administrador público e não estava a pagar o que devia ao Estado”.

A líder do Bloco salientou que as declarações sobre o Banif não foram “a única afirmação surpreendente de Pedro Passos Coelho porque diz também que estava já a reverter a austeridade”.

Para Catarina Martins, o presidente do PSD quer “esconder que se tinha comprometido com Bruxelas com um aumento de impostos bem superior ao que acontece com o Orçamento do Estado que foi agora apresentado e que se tinha comprometido também a cortar mais de 500 milhões de euros nas pensões em Portugal”

E, portanto, um Governo que tinha prometido tão mais austeridade em Bruxelas para o nosso país dizer agora quem era responsável por esse Governo que estava a tentar reverter a austeridade, eu julgo que é uma forma muito pouco séria de estar na política”, concluiu.

Relativamente ao Orçamento do Estado para 2016, a coordenadora do BE disse apenas que o seu partido está a estudar e a debater propostas concretas que serão apresentadas em devido tempo, na discussão na especialidade, no parlamento.

Vincou, contudo, que essas propostas incidirão na recuperação de rendimentos para apoiar famílias com salários mais baixos e sobre os problemas da degradação dos serviços públicos.

 

Capital estrangeiro não serve interesse público da TAP

Catarina Martins defendeu este segunda-feira que a entrada de capital estrangeiro na TAP não defende os interesses da companhia aérea nacional, nem ajuda o país.

A líder bloquista reiterou a posição do partido que entende que a TAP deve ser pública, em reação a notícias sobre a possível entrada de capital chinês na empresa depois do acordo com os privados em que o Estado ficou com 50 por cento das ações.

Achamos que o capital privado estrangeiro na TAP não ajuda o país, só desajuda e, portanto, seja ele chinês ou norte-americano consideramos que está a mais na TAP, a TAP precisa sim de ser pública”, insistiu.

Para o BE, a companhia aérea “só serve o interesse público se for do Estado, não vem nenhum mecenas privado, seja ele dos Estados Unidos, do Brasil ou da China, resolver as questões de interesse público para ligar Portugal às suas comunidades de emigrantes ou para fazer as exportações da economia portuguesa”.

Essa é uma responsabilidade pública, é o Estado que deve assumir e deve assumir tendo o capital integral da TAP”, defendeu.

Catarina Martins sustentou que esta questão percebe-se quando se discutem “questões de interesse público sobre a ligação das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo ao país, como acontece, por exemplo, quando o Porto deixa de ter voos diretos para cidades onde há tantos emigrantes portugueses “.