Pedro Passos Coelho afirmou que o PSD não vai apresentar alterações ao Orçamento do Estado para 2016 porque o orçamento "não tem arranjo possível". Numa resposta às críticas da esquerda, que lhe apontou o dedo por não apresentar alternativas, o líder do PSD disse que "quem governa" o deve fazer "com as suas escolhas e não com as escolhas da oposição".

"E não, não apresentaremos alterações a esse orçamento. Ele não tem arranjo possível. Além de que é legítimo de que quem governa o possa fazer com as suas escolhas e não com as escolhas da oposição."

Foi um discurso acalorado e repleto de críticas ao orçamento "irrealista" da maioria "socialista, bloquista, comunista e verde" aquele que Pedro Passos Coelho proferiu no hemiciclo no encerramento do debate sobre o Orçamento do Estado para 2016 e que terminou com a sua bancada parlamentar de pé para o aplaudir.

"O PPD-PSD é reformista, gradualista e realista e a maioria socialista, bloquista, comunista e verde que suporta o Governo é populista, retrógrada e irrealista."

Criticou o orçamento, criticou o PS e António Costa e criticou a extrema esquerda e o seu "fanatismo ficcional".

Lembrando que foi um governo PS que pediu o resgate financeiro, disse que "chega a ser embaraçoso" ver os socialistas a "apresentarem-se agora como os agentes de uma política patriótica e progressista".

"Chega a ser embaraçoso ver os socialistas, por vezes os mesmos que em 2010 e 2011 defenderam e executaram os cortes de salários, congelaram salário mínimo, pensões, aumentaram todas as taxas do IVA, agravaram o IMI, apresentarem-se agora como os agentes de uma política patriótica e progressista, que combate a maldosa austeridade que afinal eles mesmos iniciaram."

Só que, defendeu, essa "política patriótica e progressista" esbarrou em Bruxelas e deu origem a uma nova "austeridade", uma "austeridade melhor" que tem a marca da esquerda. Uma austeridade que "penaliza a classe média, as empresas e as famílias numerosas", que "tira disfarçadamente com uma mão o que dá ostensivamente com a outra". 

"Uma austeridade melhor, dizem, com marca socialista, bloquista, comunista e verde só pode ser ideologicamente melhor do que outra coisa que já tenha existido. Por isso, apesar de a carga fiscal afinal já não baixar e medidas emblemáticas terem ficado em suspenso, este OE como já todos percebemos está longe de de conhecer ultima versão, é apresentado como sendo o principio do tempo novo que se quer viver no país."

O presidente dos sociais-democratas atacou diretamente António Costa. Em causa "desesperadas acusações de falta de patriotismo e mesmo de sabotagem" de que os deputados do PPD "teriam movido influências poderosíssimas em Bruxelas", argumentou.

E depois o "fanatismo ficcional" da extrema-esquerda. Se PSD estivesse no Governo, Passos garante que "não estaríamos a falar da renegociação da dívida" - uma questão em que tanto BE como PCP insistiram ao longo dos dois dias de debate -,  uma vez que, defende, essa discussão leva "à destruição da reputação e de valor da economia".

"Não estaríamos a falar da renegociação da dívida como um pirómano que se deleita com a destruição da reputação e de valor da economia como sucede com a atual maioria do Governo."