O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou hoje não ser "pedir demasiado" que o Governo português cumpra as promessas de consolidação orçamental, de forma a evitar a suspensão de fundos.

Em declaração aos jornalistas durante uma visita às festas de Tondela, Passos Coelho admitiu ser uma boa notícia o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Investimento, Jyrki Katainen, ter-se mostrado convicto de que Portugal e Espanha evitarão a suspensão de fundos, bastando para tal cumprirem as promessas de consolidação orçamental.

O presidente do PSD frisou que a Comissão Europeia "já foi flexível e reconheceu os sacrifícios imensos que foram feitos pelos portugueses nos anos anteriores e que, portanto, não justificava estar a sancionar o país em face do esforço que já tinha sido desenvolvido antes".

Assim sendo, disse não lhe parecer "que seja pedir demasiado que o Governo cumpra com as metas a que se propôs, de modo a que a que este processo seja encerrado o mais depressa possível".

Nós sabemos que quando o primeiro processo é aberto, este segundo, que envolve os fundos estruturais, é automático, portanto, não depende da vontade política, nem do colégio de comissários, nem do conselho em Bruxelas", afirmou.

Passos Coelho lembrou que o "Parlamento Europeu pediu para ser ouvido também neste particular" e disse concordar "que quanto mais depressa essa questão for esclarecida melhor".

Os Governos - quer de Portugal, quer de Espanha - ficaram de oferecer garantias em como as metas que tinham estabelecido estão bem encaminhadas, portanto, está nas mãos dos Governos arrumarem essa questão tão rapidamente quanto possível", sublinhou.

Passos lamenta desempenho "muito negativo" das exportações

Pedro Passos Coelho lamentou ainda o desempenho "muito negativo" das exportações e acusou os governantes de "desaparecerem" quando as notícias são negativas.

Em declarações aos jornalistas, o líder do PSD considerou que a estratégica económica tem "uma espécie de calcanhar de Aquiles".

Os resultados que têm vindo a ser divulgados a partir do Instituto Nacional de Estatística não apontam no sentido que nós gostaríamos. Recebemos ainda ontem (sexta-feira) notícias que não nos deixaram satisfeitos: as exportações tiveram um desempenho muito negativo", afirmou.

Na opinião do presidente do PSD, "é muito mau que o Governo não fale destas coisas", ou seja, no que "está a correr mal e deve ser corrigido para que passe a correr bem".

Dá impressão que sempre que as notícias não são boas, os governantes desaparecem, fica a comunicação social a dar conta do resultado que as instituições, as autoridades, vão revelando publicamente", criticou.

O antigo primeiro-ministro disse que "o crescimento é essencial", sobretudo quando se quer para o futuro "melhor emprego, mais bem remunerado, um rendimento superior, ajudar não apenas o Estado a equilibrar as suas contas, mas o país, as empresas e as famílias a disporem de um horizonte mas esperançoso, de maior confiança".

Eu espero que se mantenham contas certas, mas isso não significa que para o país seja suficiente que as contas batam certas", frisou.

Para Passos Coelho é essencial "ter uma estratégia económica que ponha o país a crescer, que atraia investimento, que isso permita gerar mais emprego, que esse emprego possa trazer novo rendimento para o país e não apenas uma redistribuição do rendimento".

Isso é crítico para podermos estar num campeonato de países desenvolvidos, que têm níveis de bem-estar e de prosperidade maiores e que com isso podem gerar folga suficiente para se pagar o que se deve e para investir em ter um futuro melhor e para deixarmos aos nossos filhos mais alguma coisa do que nós conseguimos ter no passado", acrescentou.

“A instituição militar é a primeira a ter interesse em saber o que se passou"

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado, em Tondela, distrito de Viseu, que o que importa agora no caso dos Comandos é que o Exército investigue as circunstâncias que levaram à morte de dois militares para que tudo fique esclarecido.

O que é importante é que possa ser feita uma avaliação. Estas coisas não acontecem todos os anos, não acontecem todos os dias, é suposto que casos limite como estes possam ser prevenidos e, com certeza, a investigação efetuada pelo próprio Exército não deixará de dar pistas importantes que ajudem a que no futuro estas situações não ocorram”, afirmou Passos Coelho aos jornalistas, à margem de uma visita a Tondela.

Para o social-democrata, o Governo tem gerido “bem” este caso, porque “o que nesta altura deve ser procurado é o esclarecimento das circunstâncias que produziram este resultado”.

Não há aqui nenhuma necessidade de o Governo andar à frente da instituição [Exército] para garantir aquilo que ela sabe fazer”, disse, acrescentando que, “nesta altura, não faz sentido especular” sobre um eventual fim dos Comandos.

Lamentando as mortes e apresentando condolências às famílias, Passos disse ter a certeza de que “a instituição militar é a primeira a ter interesse em saber o que se passou e prevenir que coisas destas não voltem a acontecer no futuro”.

Os Comandos “representam uma tradição dentro do Exército português, que é muito acarinhada e que tem correspondido ao longo de muitos anos a uma opção da instituição militar, que foi normalmente apoiada pelo poder político”, frisou.

São, de certa maneira, uma tropa de elite” e “não haverá ninguém na estrutura militar que esteja hoje tranquilo com o que aconteceu”, acrescentou.

O líder social-democrata sublinhou que estes acidentes “felizmente não são usuais” e nada têm a ver com a natureza da instituição.

Nós esperamos que as causas nos possam dar tranquilidade no futuro, estando na origem de decisões que a instituição militar irá propor, tomar, e tenho a certeza de que o Governo não irá ser um impedimento ou um fator de complicação para isso, acho que o Governo tem agido corretamente nesta matéria”, concluiu.

O segundo militar dos comandos que estava internado no hospital em estado muito grave morreu hoje, depois de problemas ocorridos durante o 127.º curso de Comandos do exército.

O militar em causa é Dylan Araújo da Silva e encontrava-se internado no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, desde o dia 06 de setembro, devido a complicações hepáticas.

No domingo passado (dia 04), no âmbito do mesmo treino militar na região de Alcochete, distrito de Setúbal, um outro militar morreu e vários receberam assistência hospitalar.