
O primeiro-ministro considera que a vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais em França não traz nada de novo às políticas de crescimento europeias e defendeu que é prioritário corrigir as dívidas e défices excessivos.
Na conferência de imprensa que encerrou a XXV Cimeira Luso-Espanhola, Pedro Passos Coelho afirmou que «as políticas relativas ao crescimento não são novas no debate da Europa», tendo sido tratadas nas duas últimas reuniões do Conselho Europeu, «porque, desde final do ano passado, a maior parte dos institutos começou a prever um quadro mais recessivo no seio da Europa».
Passos Coelho acrescentou que existe o entendimento de que, ao mesmo tempo que se corrigem os desequilíbrios financeiros, «é preciso também atuar de forma estrutural para que o crescimento da economia possa ser gerador de riqueza nacional e de emprego», concluindo: «Desse ponto de vista, não estamos a atravessar uma nova fase da discussão europeia».
O primeiro-ministro defendeu que o crescimento não pode ser conseguido sem antes serem corrigidas as dívidas e os défices excessivos e depende de reformas no «mercado do produto, para uma economia mais aberta, mais competitiva, com mais concorrência», no «mercado laboral», na «mobilidade» e no «aprofundamento do mercado interno».
«Eu creio que são estas as políticas de crescimento para a Europa e elas não estão relacionadas com nenhuma eleição em particular no âmbito da Europa», reforçou.
O primeiro-ministro manifestou-se também apreensivo com a situação política resultante das eleições legislativas gregas e acrescentou que espera que a «Grécia permaneça dentro da Europa como um país que respeitará os seus compromissos».
Pedro Passos Coelho considerou «muito importante» que a Grécia consiga gerar um Governo que se responsabilize pelo cumprimento das metas do seu programa de assistência financeira.
O primeiro-ministro afirmou que vê «com apreensão os resultados que saíram destas eleições e que não deixam adivinhar a formação com facilidade de um Governo que possa responder por esse processo político».
«Dito isto, e porque não devo fazer comentários sobre a situação interna de outro país, cabe-me apenas expressar publicamente o desejo de que a Grécia permaneça dentro da Europa como um país que respeitará os seus compromissos e que, ao mesmo tempo, gera condições internas suficientes para ter um Governo que execute as políticas que são necessárias ao cumprimento desses compromissos», acrescentou Passos Coelho.