A cabeça de lista do POUS reafirmou esta terça-feira que faz campanha para defender o fim das instituições europeias e não para ser eleita, mas terá convencido pelo menos um trabalhador da fábrica BA, da Venda Nova, Amadora.

«Tem o meu voto e o meu apoio. Mudei de ideias. E já escolhi, já escolhi», afirmou o trabalhador, um dos poucos que atravessou o local escolhido pela comitiva do POUS para distribuir panfletos. Uns metros mais à frente dois homens partilhavam, por sua vez, propaganda da CDU.

A presença dos três canais televisivos nacionais, de um canal de televisão local e duas rádios nacionais era a hipótese que Carmelinda Pereira levantava para a diminuta presença dos trabalhadores, que deveriam estar a abandonar o local por outra entrada.

Porém, a líder da lista do POUS não deixou de explicar, sempre que aparecia algum trabalhador, que as «instituições europeias não resolvem os problemas», que a alternativa é a «soberania do país», além dos alertas contra as eventuais mudanças nos acordos coletivos de trabalho que «vão impor salários mais baixos».

Depois de abordar mais três ou quatro trabalhadores e ouvir um «estou com pressa» ou receber um acenar de cabeça quando entregava um panfleto, Carmelinda Pereira explicou aos jornalistas que ali já tinha existido um «enorme complexo industrial».

«Tudo desapareceu no quadro das políticas de deslocalização e destruição do aparelho produtivo. Foi isso uma das consequências da União Europeia (UE)», argumentou a candidata, que criticou também a «destruição dos direitos laborais» e as negociações entre europeus e norte-americanos para a «liberalização total dos preços e dos mercados».

Carmelinda Pereira defendeu ainda mais discussão em torno da UE, em vez de os partidos «estarem muito preocupados com a votação» no domingo.

«Não me preocupa a abstenção», admitiu a candidata, que acrescentou que os votos também não a preocupam, mas sim a intervenção pelo «poder democrático dos trabalhadores e populações».