O antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou na sexta-feira à noite que o líder do PS, António Costa, renunciou ao apelo à maioria absoluta e está a lutar pela «vitória tangencial» nas eleições legislativas.

«O que me impressiona, mesmo como observador, mesmo como comentador, não é tanto o facto de o líder do PS dizer que só no dia 06 de junho é que apresenta o programa eleitoral do governo, o que me impressiona é o líder do PS ter renunciado à apelar à maioria absoluta para o Partido Socialista, estar a tentar lutar pela vitória tangencial com maioria relativa», disse Marcelo Rebelo de Sousa, em Porto de Mós, no distrito de Leiria, na sessão dos 40 anos/homenagem aos militantes do PSD.


Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, «se estivesse na posição do líder da oposição», já há muito tempo que fazia «um discurso que apontasse para o Partido Socialista ganhar espaço à esquerda para poder ter maioria absoluta» e «não ficar feliz por ter vários partidos - alguns dos quais ter a sensação de que até gosta que tenham nascido e que existam – a reduzir o seu espaço de manobra».

«É, portanto, uma proposta que nasce manca, é uma proposta que nasce fraca, da parte de um partido que se quer ser uma alternativa duradoura de governo», notando que «o grande jogo em relação a um hipotético cenário de vitória do Partido Socialista é saber com quem é que ele se vai entender, como é que ele vai conseguir governar».

Para o também comentador televisivo, esta «é, logo à partida, uma limitação enorme a quem quer apresentar uma alternativa forte àquilo que está», um Governo de coligação PSD/CDS-PP, «porque o que está defende a continuação da solução governativa estável maioritária para o futuro».

«Quem quer substituir isso deve propor uma solução maioritária, o não acreditar nisso é uma debilidade enorme», acrescentou o professor universitário.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, nas eleições legislativas o que está em causa é «a escolha entre uma solução estável, uma solução sustentada» e «uma solução minoritária, fraca, de um Partido Socialista rodeado de um conjunto de partidos à sua esquerda - uns maiores e outros menores - e portanto uma solução não duradoura, precária».