O PS acusou esta quinta-feira o Governo de ter uma conduta «revanchista» contra o Estado social sem resolver os desequilíbrios macroeconómicos, posições que levaram PSD e CDS a citar o discurso do secretário-geral socialista perante a comunidade chinesa.

Falando em plenário, na Assembleia da República, o deputado socialista Pedro Delgado Alves criticou o Governo por ter alegadamente contribuído para a «degradação» dos serviços públicos nos setores da educação, da justiça e da saúde.

Em paralelo, segundo Pedro Delgado Alves, o Governo, numa atitude «radical», não escuta as advertências provenientes de instituições como a Comissão Europeia sobre os desequilíbrios macroeconómicos do país, nem mesmo quando Bruxelas refere que a troika pecou contra a dignidade dos Estados-membros que estiveram sob assistência financeira, caso de Portugal.

Na reação a esta intervenção, o deputado social-democrata Hugo Soares comentou que o PS parece ser agora «mais troikista do que a troika ao socorrer-se das posições transmitidas por estas instituições».

Depois, citou o anterior líder socialista, António José Seguro, quando este criticou os políticos «com duas caras» perante os portugueses, tendo um discurso «público e outro de caráter privado».

«Qual dos discursos em que acreditam no PS? No de António Costa, dizendo que o país está diferente para melhor, ou naquele que acabou de fazer aqui?», perguntou Hugo Soares, com Pedro Delgado Alves a acusar o deputado social-democrata de ter «distorcido» as palavras do secretário-geral socialista.

Em seguida, Pedro Delgado Alves usou a ironia para responder a Hugo Soares: «O país está diferente e melhor do que há quatro anos porque só faltam sete meses para este Governo cessar funções».

Mas o presidente do Grupo Parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, voltou à carga com a controvérsia em torno do discurso de António Costa perante a comunidade chinesa.

«Ficamos agora com a certeza de que o PS tem dois discursos: Este [de Pedro Delgado Alves] em que diz que aquilo que melhorou no país foi graças às instituições internacionais e a 13 juízes do Tribunal Constitucional; e o de António Costa, que reconhece o esforço dos empresários e dos trabalhadores portugueses nestes últimos três anos», disse.

Nuno Magalhães acusou ainda o PS de se ter «transformado num pequeno partido de protesto, porque nunca explica como vai financiar as promessas que anda a fazer aos portugueses».

Já Cecília Honório (Bloco de Esquerda) criticou a indefinição do PS perante o Tratado Orçamental da União Europeia, o que levou Pedro Delgado Alves a dizer que se sentia à vontade para abordar esse assunto, porque se absteve na votação do tratado na Assembleia da República em 2012.

«É preciso fazer uma leitura inteligente do tratado, tal como fez agora o Governo grego do Syriza», contrapôs o deputado do PS.

Pela parte do PCP, Paula Santos considerou que são desconhecidas as posições do PS em matérias como o fim das taxas moderadoras ou a valorização das carreiras dos profissionais de saúde.