Um projeto socialista para reforçar o papel do Parlamento no combate à pobreza foi debatido, esta quinta-feira. Os deputados da maioria e os do PS entraram numa “guerra” de números, acusando-se mutuamente de terem promovido essa pobreza.

Apesar do apelo do deputado socialista Vieira da Silva, que afirmou que quem votar contra o projeto está a “responder negativamente ao apelo da sociedade” e a não assumir o papel do Parlamento como “casa do povo e da democracia”, apenas os “Verdes” e o Bloco de Esquerda disseram que iam votar a favor. Uma votação que deverá acontecer na sexta-feira.

O projeto de deliberação do PS tem como objetivo reforçar a capacidade da Assembleia da República no acompanhamento e monitorização da pobreza. Sobre a existência dessa pobreza e sobre o seu aumento ninguém discordou.

Vieira da Silva salientou que um milhão de portugueses “viu cair 25% do seu rendimento entre 2009 e 2013”. E Pedro Lopes, também do PS, falou de outros números, de 640 mil crianças em situação de pobreza, de desemprego, de exclusão social.

Mas para o PSD estes discursos não mostraram "respostas concretas" para os problemas. O social-democrata Arménio Santos afirmou que os indicadores apresentados referem-se apenas ao ano de 2013, o pior da crise portuguesa, sublinhando que, agora, “o desemprego já não é mesmo” e “a realidade é bem diferente”.

A mesma posição foi vincada por Inês Teotónio Pereira, do CDS-PP, e por Adão e Silva, ainda do PSD, com este último a dizer que o principal responsável pelo aumento da pobreza foi o PS, no tempo do Governo de José Sócrates.

“O aumento da pobreza nos últimos anos foi a consequência direta da vossa prosápia governativa. Vocês são os pais e a mães dessa pobreza que hoje criticam.”


O centrista Hugo Almeida apoiou esta mesma ideia.

“Podem estar agora preocupados com a pobreza mas foram os senhores que a trouxeram”.


Na troca de acusações os partidos mais à esquerda colocaram PS e PSD/CDS-PP no mesmo patamar, acusando-os de serem com as suas políticas os principais responsáveis. O comunista David Costa, por exemplo, disse que a pobreza não pode ser desligada de decisões tomadas no passado, resultado de opções políticas do atual Governo e do PS.

Jorge Machado e Rita Rato, também do PCP, perguntaram ao PS que compromissos assume nesta matéria caso ganhe as próximas eleições. E Mariana Aiveca, do Bloco de Esquerda, quis saber também propostas concretas, até porque o papel maior da Assembleia é produzir leis e leis que podem diminuir o flagelo da pobreza.