O PSD vai pedir esta terça-feira uma reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República sobre a lista de vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, mas afasta uma moção de censura ao Governo.

O PSD vai hoje mesmo requerer, com caráter de urgência, uma reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República para que este assunto possa ser debatido, possa ser discutido por quem representa o povo português", anunciou o líder da bancada social-democrata, Hugo Soares, em conferência de imprensa, no Parlamento.

 

Questionado sobre uma eventual moção de censura ao Governo, Hugo Soares respondeu: "O PSD não tem em cima da mesa nenhuma moção de censura. Se o CDS-PP resolver apresentar uma moção de censura, o grupo parlamentar do PSD e o partido decidirão o que fazer. Não creio que sequer essa situação esteja em cima da mesa porque, ao que saiba, não deu entrada nenhuma moção de censura, nem sequer tão pouco foi anunciada".

Hugo Soares, recém-eleito líder parlamentar do PSD, tinha exigido na segunda-feira ao Governo que tornasse pública a lista com os nomes das pessoas que morreram nos incêndios de Pedrógão Grande e que esclarecesse os critérios de elaboração dessa lista, estabelecendo um prazo: "O Governo tem 24 horas".

O primeiro-ministro divulgou, pouco depois, um comunicado afirmando que a Procuradoria-Geral da República lhe tinha confirmado que a lista está abrangida pelo segredo de justiça e que a sua eventual divulgação cabe ao Ministério Público.

Esta terça-feira, o líder parlamentar do PSD iniciou esta conferência de imprensa insistindo que "é responsabilidade do Governo - porque é o Governo que tutela os serviços da Administração -, divulgar esta lista e conhecer os nomes das pessoas que perderam a vida em Pedrógão Grande".

O chefe do Governo dizer que não é sua responsabilidade saber e divulgar a lista traduz-se numa grande demissão das responsabilidades políticas do senhor primeiro-ministro e do Governo. O país não pode ter um chefe de Governo que se demite das suas obrigações", declarou.

Hugo Soares colocou em causa os números divulgados oficialmente, declarando: "Nós, hoje, não somos capazes, um mês depois da tragédia de Pedrógão Grande, de dizer com clareza quantas pessoas perderam a vida naquela tragédia".

E acusou António Costa de "sacudir a água do capote" e de fazer declarações que provocam "especulação" quanto a esta matéria: "O país tem assistido atónito a um conjunto de informação jornalística, mas sobretudo, e isso é o que verdadeiramente importa no caso, a um conjunto de declarações do senhor primeiro-ministro e chefe do Governo que têm trazido à praça pública uma enorme especulação sobre a lista nominativa de pessoas que morreram na tragédia de Pedrógão Grande".

Quanto à elaboração da lista, Hugo Soares disse que "o PSD não aceita, e não aceita mesmo, que haja critérios subjetivos que afastem ou coloquem pessoas nas listas de mortos da tragédia de Pedrógão Grande, que não apenas um, que é: as que morreram derivado à tragédia".

O líder parlamentar do PSD voltou a exigir "que o Governo publique a lista", argumentando que "a publicação desta lista é essencial para que as famílias possam ser reparadas e para, sobretudo, acabar de vez com esta especulação".

"Os mortos de Pedrógão Grande não são estatísticas, são pessoas a quem o Estado falhou. E esta situação é de uma indignidade que não é de um Estado de direito democrático como nós hoje somos", acrescentou, qualificando esta situação como "um colapso do Estado" e "uma falta de autoridade" do Governo.