Os dirigentes do PCP voltaram esta terça-feira a defender a "adoção de medidas imediatas e políticas de fundo" relacionadas com a floresta e a "tragédia" dos incêndios, rejeitando a sua utilização para "manobras parlamentares" com "objetivos políticos e partidários".

A dimensão da tragédia traduz dramaticamente os problemas da floresta acumulados por décadas de política de direita de governos PSD, CDS e PS", acusa o PCP em comunicado.

Os comunistas exigem a "adoção de medidas imediatas e políticas de fundo que deem resposta a esses problemas e não que eles sejam utilizados como pretexto para manobras parlamentares que visam apenas objetivos políticos e partidários".

Marcelo e o "novo ciclo"

O curto comunicado do PCP é divulgado após comunicação do Presidente da República ao país, a partir de Oliveira do Hospital, um dos locais mais afetados pelos fogos no fim de semana, na qual o chefe do Estado considerou ser essencial o Parlamento clarificar o seu apoio ao Governo, face à moção de censura do CDS-PP, para "se evitar um equívoco" ou "reforçar o mandato para as reformas inadiáveis".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que é preciso "abrir um novo ciclo", na sequência dos incêndios de junho e de domingo passado, e que isso "inevitavelmente obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, como e quando melhor serve esse ciclo" - numa eventual alusão a uma recomposição do executivo do PS.

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, vai receber o CDS-PP na quarta-feira às 20:00 no Palácio de Belém, em Lisboa, e depois o PCP, às 21:00, após ambos os partidos terem solicitado audiências.