O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, abre na quarta-feira o debate quinzenal no Parlamento, tendo comunicado que fará uma intervenção sobre "questões de relevância política, económica e social".

O último debate quinzenal realizou-se no dia 6 de maio e ficou marcado pelas afirmações de Passos Coelho sobre Dias Loureiro, depois de confrontado pela porta-voz do BE, Catarina Martins.

Catarina Martins exigiu que o primeiro-ministro explicasse os elogios feitos dias antes a Dias Loureiro, responsabilizando o antigo ministro de Cavaco Silva pela "fraude" do BPN.

Na resposta, o chefe de Governo reiterou o tom elogioso, atribuindo a Dias Loureiro o mérito de "vencer na vida e ter negócios bem-sucedidos" apesar de ser natural do interior do país, concretamente de Aguiar da Beira.

Catarina Martins abordou também o tema da biografia autorizada de Passos Coelho, em que era relatado que Paulo Portas, em 2013, tinha comunicado ao primeiro-ministro, por mensagem de telemóvel, a intenção de se demitir.

Quando Passos Coelho respondeu, confundiu o cargo de presidente do CDS-PP com o de líder do maior partido da oposição e negou alguma vez ter enxovalhado Paulo Portas: "Em primeiro lugar nunca na vida enxovalhei ninguém, muito menos o líder do principal partido da oposição, está muito equivocada", disse.

Uma outra mensagem de telemóvel foi assunto no debate quinzenal, com o PSD a acusar o secretário-geral do PS de tentar condicionar a liberdade de imprensa, numa alusão à mensagem enviada por António Costa a um diretor-adjunto do Expresso, e desafiou os socialistas a pronunciarem-se sobre o caso.

O PS, por seu turno, acusou o Governo de adotar uma política de "terra queimada" em final de mandato ao privatizar setores estratégicos e considerou "vergonhoso" o recente movimento diplomático para "controlar" a diplomacia económica.

"O Governo é o principal responsável ao insistir na privatização. O que se está a passar na TAP é uma vergonha para o seu Governo", apontou o líder parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, antes de também referir que a política de "terra queimada" do executivo se estende à concessão dos transportes públicos, matéria que advogou já ter sido alvo de uma decisão contrária por parte de um tribunal administrativo, como refere a Lusa.